Quinta, 22 de Outubro de 2026

Júri do caso Paula Perin Portes: segundo dia tem depoimentos sobre investigação e participação dos acusados em Soledade

Depoimentos do segundo dia do júri abordaram imagens de segurança, informações de testemunhas e questionamentos das defesas sobre a investigação em Soledade.

Por: Redação Acontece no RS
21/10/2026 às 22h26
Júri do caso Paula Perin Portes: segundo dia tem depoimentos sobre investigação e participação dos acusados em Soledade

O segundo dia do julgamento dos quatro homens acusados pela morte de Paula Chaiane Perin Portes, de 18 anos, foi marcado por novos depoimentos nesta quarta-feira (21), em Soledade. Durante a tarde, testemunhas responderam a questionamentos da acusação e das defesas sobre as investigações do crime, ocorrido em junho de 2020. A sessão foi conduzida pelo juiz de Direito José Pedro Guimarães, na Câmara de Vereadores.

Um dos depoimentos foi prestado pelo policial civil Emílio, que participou da investigação. Questionado pelos advogados, ele explicou como foram obtidas informações de colaboradores da polícia e analisadas imagens de câmeras de segurança. O policial reconheceu que as gravações não permitiam identificar com precisão as pessoas que apareciam nas imagens, embora tenham contribuído para a reconstrução dos acontecimentos.

As defesas também questionaram os procedimentos utilizados na investigação, incluindo a comparação de imagens, a análise de aparelhos celulares e a participação atribuída a determinados réus. Emílio afirmou que parte das informações foi obtida por meio de depoimentos e informantes. Ao responder ao magistrado, esclareceu que não havia confirmação objetiva de que a morte tivesse ocorrido no galpão apontado pela acusação, embora os relatos colhidos indicassem essa possibilidade.

Outra testemunha ouvida foi Eliane Ferreira Moreira, mãe de Vittor Mateus, conhecido como Sabão. Ela relatou que o filho teria recebido informações antecipadas sobre a intenção de matar uma jovem e mencionou os nomes dos quatro acusados. Segundo Eliane, Vittor demonstrava medo dos envolvidos e, posteriormente, teria participado da mudança do local onde o corpo estava ocultado. A testemunha também descreveu circunstâncias que a levaram a procurar a Polícia Civil.

Na sequência, Estefânia da Silva Ferreira prestou depoimento e respondeu a perguntas sobre sua relação com pessoas mencionadas no processo e sobre abordagens realizadas durante a investigação. Ela apresentou questionamentos sobre a atuação policial e relatou situações que, segundo sua versão, ocorreram quando foi levada à delegacia.

Também foi ouvido Guilherme Morais Neves, que relatou ter participado de uma confraternização na companhia de Jesiel, um dos acusados, próximo ao período do desaparecimento de Paula. A testemunha respondeu a perguntas sobre os horários, o trajeto percorrido após o encontro e um aparelho celular que teria permanecido com seu filho. Guilherme afirmou não recordar com exatidão determinados horários, que foram confrontados com declarações prestadas anteriormente.

Ao final dos depoimentos, o juiz declarou encerrada a fase de oitiva das testemunhas em plenário. Os quatro réus respondem por homicídio qualificado pelo emprego de asfixia, dissimulação e recurso que dificultou a defesa da vítima. Um deles também é acusado de ocultação de cadáver. Conforme a denúncia do Ministério Público, o corpo de Paula foi levado a uma propriedade rural e posteriormente transferido para a localidade de Rincão do Bugre, onde foi encontrado cerca de dois meses após o desaparecimento.