
Marisete Lourdes Perin, mãe de Paula Perin Portes, prestou depoimento no Tribunal do Júri e relatou as consequências emocionais que enfrenta desde o desaparecimento e a morte da filha, em junho de 2020. Segunda testemunha a ser ouvida, ela se emocionou ao recordar a convivência com a jovem e os seis anos de sofrimento desde a perda.
Durante o depoimento, Marisete descreveu a proximidade que mantinha com Paula e lembrou das dificuldades financeiras enfrentadas pela família durante a infância da filha. Também contou que a jovem desejava estudar Medicina Veterinária.
Ao relembrar o desaparecimento, a mãe afirmou que inicialmente mantinha a esperança de encontrar Paula com vida. Entretanto, a ausência prolongada de notícias, especialmente porque a filha tinha o hábito de avisar quando saía, fez com que passasse a temer o pior.
Marisete revelou que preserva o quarto da filha como ela o deixou e conserva objetos de valor sentimental, incluindo um travesseiro que ganhou de Paula no Dia das Mães. Segundo ela, as lembranças dos 18 anos de convivência continuam presentes em sua vida.
A testemunha também falou sobre os impactos da perda em sua saúde emocional. Relatou que tentou tirar a própria vida, passou por internações para tratamento em Passo Fundo e Soledade e atualmente utiliza medicamentos. Datas comemorativas, como aniversários e o Dia das Mães, deixaram de ser celebradas. “Ficou um vazio dentro de mim”, declarou.
Outro ponto abordado foi o recebimento de ameaças e exigências de dinheiro durante o período relacionado ao caso. Marisete contou ainda que recebeu apoio de uma mulher que também perdeu um familiar em um crime de grande repercussão e que mantinha contato telefônico frequente para ajudá-la a enfrentar o sofrimento.
Ao encerrar sua participação no julgamento, a mãe de Paula manifestou o desejo de que os responsáveis pela morte da filha respondam pelo crime. Após seis anos, ela vê no Tribunal do Júri a possibilidade de obter respostas e de buscar justiça.