
O julgamento dos quatro homens acusados pela morte de Paula Chaiane Perin Portes, de 18 anos, teve continuidade nesta quarta-feira (21), em Soledade. Durante a sessão do Tribunal do Júri, realizada na Câmara de Vereadores, o escrivão da Polícia Civil Emílio Francisco Meine prestou depoimento sobre as investigações do crime ocorrido em junho de 2020.
O policial relatou que imagens de câmeras de segurança ajudaram a esclarecer as circunstâncias do desaparecimento. Conforme seu depoimento, as gravações mostraram Paula chegando a um imóvel e, posteriormente, pessoas transportando o que os investigadores identificaram como o corpo da jovem até um veículo. A partir dessas imagens, a Polícia Civil passou a trabalhar com a hipótese de homicídio.
Um dos principais pontos abordados foi a localização do corpo, encontrado após aproximadamente dois meses de buscas. Segundo Emílio, os investigadores receberam informações sobre diferentes locais e chegaram a identificar uma cova que apresentava sinais de ter sido utilizada anteriormente. O corpo, no entanto, não estava mais naquele ponto.
A localização definitiva ocorreu depois que Vítor, conhecido pelo apelido de Sabão, forneceu indicações à polícia. Conforme o escrivão, ele acompanhou os agentes até uma área de mata, próxima a um açude, onde o corpo estava enterrado. Uma pedra com marcas de fogo serviu como referência para identificar o ponto exato. O policial destacou que as condições do terreno dificultariam a descoberta sem essas informações.
Durante os questionamentos, Emílio também apresentou divergências identificadas pela investigação entre versões fornecidas por investigados e relatos de testemunhas. As defesas, por sua vez, questionaram procedimentos policiais, a precisão dos depoimentos e os elementos utilizados para relacionar os acusados aos acontecimentos. O escrivão reconheceu que determinadas informações apresentadas durante a investigação não haviam sido comprovadas por elementos independentes.
Antes do depoimento do policial, o empresário João Roberto da Silva também foi ouvido. Ele relatou que manteve relações comerciais com um dos acusados, Jonathan Portela da Silva, aproximadamente entre 2018 e 2019, no setor de pedras preciosas. A testemunha afirmou que não teve problemas profissionais com ele, mas esclareceu que não sabia onde Jonathan estava na data do crime.
Os quatro réus respondem por homicídio qualificado, com acusações relacionadas ao emprego de asfixia, dissimulação e recurso que dificultou a defesa da vítima. Um deles também responde por ocultação de cadáver. O julgamento, presidido pelo juiz José Pedro Guimarães, começou na terça-feira (20), e as sessões têm transmissão pelo canal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul no YouTube.