Quinta, 10 de Setembro de 2026

Operação resgata 15 pessoas de condições análogas à escravidão no Rio Grande do Sul

Fiscalizações em diferentes regiões do Estado encontraram irregularidades no meio rural, em restaurante e em caso de exploração sexual sob investigação.

Por: Redação Acontece no RS
10/09/2026 às 09h18
Operação resgata 15 pessoas de condições análogas à escravidão no Rio Grande do Sul
Foto: Divulgação / Ministério Público do Trabalho (MPT)

Quinze pessoas foram resgatadas de condições análogas à escravidão no Rio Grande do Sul entre a última semana de julho e o fim de agosto. As fiscalizações fizeram parte da Operação Resgate VI, realizada de forma conjunta por órgãos como Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU), Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF).

No Estado, quatro equipes realizaram fiscalizações em 17 municípios. As ações se concentraram principalmente em atividades rurais, como criação de animais e plantações de melancia e fumo, mas também alcançaram restaurantes, casas noturnas, obras públicas, pedreiras, carvoaria e outros estabelecimentos.

O primeiro resgate ocorreu na zona rural de Santana do Livramento, onde dois trabalhadores, um brasileiro e um uruguaio, foram encontrados em uma propriedade dedicada à criação de gado. Conforme a fiscalização, eles permaneciam em um galpão de madeira com infiltrações e sem condições mínimas de segurança e higiene. Após a ação, tiveram garantido o pagamento dos direitos rescisórios.

Em Três Passos, no dia 4 de agosto, um casal foi retirado de uma propriedade rural após a fiscalização apontar condições degradantes de moradia e ausência de pagamento de salários por mais de uma década. Também foram identificadas falta de registro em carteira, férias, FGTS e contribuições previdenciárias. A família recebeu encaminhamento para atendimento pela rede municipal de assistência social.

Dois dias depois, três trabalhadores argentinos foram resgatados de um restaurante em Lajeado. Segundo os fiscais, eles enfrentavam jornadas excessivas, falta de descanso regular, pagamentos abaixo do combinado e problemas nas moradias fornecidas pelo empregador. Uma das situações constatadas foi a existência de câmeras de vigilância dentro dos alojamentos, onde, conforme relatos dos trabalhadores, havia monitoramento inclusive durante os períodos de descanso.

A última ação mencionada na operação estadual começou em 20 de agosto, em Ijuí e Planalto, e resultou no resgate de oito trabalhadoras submetidas à exploração sexual. O caso permanece sob investigação e tramita em sigilo. Em todo o Brasil, a Operação Resgate VI terminou com 479 trabalhadores resgatados após 231 ações fiscais realizadas no período.

A Operação Resgate é promovida nacionalmente desde 2021 para identificar e interromper situações de trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas. Além dos resgates, as equipes atuam para assegurar direitos trabalhistas, atendimento social às vítimas e medidas de proteção.