Quinta, 10 de Setembro de 2026

MP denuncia ex-padrasto que confessou matar adolescente de 14 anos em Encantado

Ministério Público aponta feminicídio, motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da adolescente, morta em 17 de agosto, em Encantado.

Por: Redação Acontece no RS
10/09/2026 às 09h29
MP denuncia ex-padrasto que confessou matar adolescente de 14 anos em Encantado
Caso Alice: Enteada seguiu próxima de ex-padrasto após separação da mãe — Foto: Reprodução/Redes sociais

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) denunciou Wagno Arezi Henika pela morte de Alice Nitz, de 14 anos, ocorrida em 17 de agosto, em Encantado. A denúncia foi divulgada nesta quarta-feira (9), e o investigado já havia confessado o crime.

Wagno manteve relacionamento com a mãe da adolescente durante 13 anos e estava separado dela havia cerca de um mês quando Alice foi morta. Conforme o Ministério Público, a jovem convivia com o ex-padrasto desde a infância, e o crime ocorreu após um desentendimento envolvendo questões financeiras.

O denunciado responderá por feminicídio. Segundo o promotor de Justiça Heráclito Mota Barreto Neto, o caso ocorreu em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher, com motivo fútil e uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima.

De acordo com a denúncia, Alice foi atingida com golpes de martelo e, posteriormente, com uma faca. O Ministério Público sustenta que a adolescente estava desarmada, em um ambiente fechado e sem condições de apresentar uma defesa eficaz. Ela morreu no local.

O MPRS também pede que Wagno seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri e solicita a definição de um valor mínimo para reparação dos danos sofridos pelos familiares. O promotor afirmou que a denúncia foi apresentada com base nos elementos reunidos durante a investigação e que o órgão continuará acompanhando o processo.

Wagno foi preso preventivamente em agosto, na residência onde morava, no bairro Jardim do Trabalhador. Conforme a investigação, após o crime, ele teria informado familiares sobre a morte da adolescente e deixado o local antes da chegada da Brigada Militar. O advogado Márcio Arcari declarou durante as apurações que o cliente é réu confesso e está colaborando com a Justiça.

Alice estudava na Escola Estadual de Ensino Fundamental Jardim do Trabalhador desde a educação infantil. Também participava do grupo de dança tradicionalista Oigalê, declamava poesias e jogava futsal pelo Fênix FC Futsal Feminino. A comunidade escolar e o clube manifestaram pesar pela morte da adolescente.