
Uma mulher acusada de ter assassinado o marido a pauladas foi absolvida pelo Tribunal do Júri nesta quinta-feira, 3. O caso ocorreu no interior do município de Taquara, no Vale do Paranhana, em uma comunidade conhecida como Beco do Grilo, em 2013. O julgamento ocorreu no mesmo município. A mulher tinha 34 anos na época do caso.
O júri decidiu pela absolvição por quatro votos a zero.
“A justiça foi feita, nós ficamos muito felizes”, avalia a advogada Mônica Carvalho, responsável pela defesa, juntamente com as advogadas Hévila Meyer da Silva e Marcia Betânia Moreira Menta.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, a acusada teria desferido diversos golpes contra a vítima com um pedaço de madeira. O resultado da necropsia confirma que a morte ocorreu em função das lesões.
A denúncia sustentava ainda que o crime teria sido cometido com dois qualificadores: recurso que dificultou a defesa da vítima, em função de o homem estar deitado; e motivo torpe, sustentando que a mulher teria matado o marido após descobrir que ele teria engravidado uma meia-irmã dela.
Em plenário, o MP retirou o pedido da qualificadora do motivo fútil, e postulou a condenação da ré por homicídio privilegiado pelo relevante valor moral.
As advogadas de defesa contestaram a versão da denúncia. As teses eram a de legítima defesa de terceiro e inexigibilidade de conduta diversa. Mônica afirma que sua cliente foi criada em uma localidade muito pobre e em um contexto de violência doméstica.
A vítima do caso era o terceiro marido da ré. Eles não tinham filhos, mas a acusada tinha filhos de outros casamentos. “Ela trabalhava no mato, é uma pessoa humilde, de uma localidade bastante pobre. Mandava o homem embora de casa, e ele não ia”, afirma a defensora.
De acordo com a defesa, o crime ocorreu após ela ter flagrado o homem abusando de uma de suas filhas. Ao questioná-lo, ele teria segurado ela pelo pescoço, sem responder.
A ré teria, então, esperado as crianças saírem de casa para a escola para questioná-lo novamente. De acordo com a defesa, o homem teria confessado o abuso e ironizado a situação. “Ela saiu atordoada do quarto, pegou madeira que utilizava no fogão a lenha e deu na cabeça dele. Ela saiu de casa sem saber se ele estava vivo ou não”, relata a defensora.
A acusada chegou a ser levada à delegacia, mas não ficou presa naquele momento. Depois do episódio, ela teria se mudado para outro estado, sem mais acompanhar a investigação. O inquérito teria se arrastado até 2018. Em 2024, foi expedido mandado de prisão. Ela chegou a ficar presa durante dois meses.
A decisão desta quinta-feira é de primeiro grau. Ainda cabe recurso. A reportagem entrou em contato com o Ministério Público e aguarda um posicionamento.