Segunda, 17 de Agosto de 2026
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Canola tem aptidão para 4,2 milhões de hectares no RS

Estudo da RTC considera seu cultivo possível em metade das lavouras de verão do Estado.

Por: Redação Acontece no RS Fonte: Correio do Povo
17/08/2026 às 09h13
Canola tem aptidão para 4,2 milhões de hectares no RS
Mesmo com a rotação de culturas, ou seja, um plantio a cada três anos, é possível cultivar 1,4 milhão de hectares a cada ano Foto : Luiz Henrique Magnante / Embrapa Trigo / Divulgação / CP

A canola no Rio Grande do Sul, cuja semeadura da atual safra já foi finalizada, terá uma ampliação de área considerável em relação à do ano passado. Conforme estimativa divulgada em junho pela Emater/RS-Ascar, serão 353.397 hectares, expansão de 102,64% sobre o cultivo de 2025, enquanto a Conab prevê 366,3 mil hectares, ou quase 75% a mais que no ano passado.

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A demanda aquecida para a produção de biodiesel, com um parque industrial já instalado, em construção ou projetado, explicam o ganho de atenção da espécie por parte dos agricultores gaúchos.

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Recente estudo elaborado pela Rede Técnica Cooperativa (RTC), projeto de pesquisa, assistência técnica e validação de tecnologias mantido por 30 cooperativas e coordenado pela Cooperativa Central Gaúcha Ltda. (CCGL), concluiu que cerca de 50% dos 8,5 milhões de hectares explorados pelas culturas de verão (soja, milho e arroz) do Estado têm aptidão para a oleaginosa.

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“Considerando que a rotação de culturas é altamente recomendada, se cultivarmos esses 4,2 milhões de hectares em 1 a cada 3 anos, estamos falando de um potencial de 1,4 milhão de hectares, sem prejudicar outras culturas, mantendo um sistema sustentável com rotação de cultivos”, avalia o engenheiro-agrônomo Gabriel Hintz, pesquisador e cientista de dados da RTC/CCGL.

O trabalho avaliou condições de solo e clima para chegar à conclusão das áreas recomendadas. “A canola é uma cultura exigente e tem preferência por solos bem drenados e corrigidos quimicamente”, lembra Hintz.

“Em relação às condições climáticas, a baixa radiação solar pode ser um fator limitante em anos de chuva excessiva, por reduzir o potencial produtivo”, acrescenta. “Já a demanda hídrica não é um problema, visto que o acumulado médio do nosso inverno (período de cultivo) é duas vezes superior à demanda hídrica da canola”, complementa.

“Por fim, as regiões de alta altitude devem ter um cuidado redobrado com relação à ocorrência de geadas no período de florescimento e enchimento de grãos, além de ter um cuidado especial com a proliferação de doenças como o mofo-branco que pode acometer a cultura da soja na sequência.”

“A aptidão alta concentra-se nas regiões Planalto e Noroeste, onde solos profundos em posição de coxilha combinam menor risco de geada no florescimento e maior radiação solar”, descreve o trabalho. “A região Sul apresenta aptidão baixa, devido a solos hidromórficos rasos e menor radiação solar, enquanto a região dos Campos de Cima da Serra tem baixa aptidão pelo ao alto risco de geadas no florescimento”, acrescenta.

Qualidade de semeadura

O agrônomo esclarece ainda que o bom desenvolvimento e da cultura da canola está “intimamente ligado ao seu estabelecimento, sendo a etapa de semeadura crucial para garantir o êxito da lavoura”.

“Para isso, tecnicamente ainda precisaremos evoluir em qualidade de semeadura e compreender melhor aspectos relacionados à qualidade de sementes. No entanto, a nutrição de plantas e a compreensão de pragas, doenças e plantas daninhas, são aspectos fundamentais para garantir resultados mais próximos possíveis do potencial produtivo da cultura”, adverte.

Hintz avalia ainda que a cultura vem para se somar ao trigo e às forrageiras tradicionais para a época do ano, e não para competir, justamente devido à grande disponibilidade de área para cultivos na estação.

“Assim, seu espaço será limitado pela preparação do corpo técnico para tornar o cultivo rentável e pela atratividade do mercado”, entende.

“A equipe de pesquisa da RTC projeta que podemos chegar a uma relação de 1:1 entre canola e trigo, principalmente diante da necessidade das propriedades rurais de diversificar suas atividades econômicas, minimizar riscos e impactos climáticos, e diluir os custos fixos”, projeta.

Logística precisa evoluir

Para o especialista, a ampliação da capacidade de armazenamento e o complementar processo logístico serão fundamentais para a expandir, manter e consolidar a cultura no sistema de produção de grãos do Rio Grande do Sul.

“Outro ponto fundamental é uma evolução na industrialização para que consigamos agregar valor aos produtos gerados a partir da canola, trazendo mais renda para o produtor, geração de empregos, capital circulando na economia do estado e segurança produtiva e econômica”, afirma.

E quanto à rentabilidade, Hintz lembra que a commodity também está sujeita a flutuações de mercado. “Nesse sentido, o travamento do preço de comercialização pode ser uma estratégia importante para garantir o ponto de equilíbrio econômico da cultura.”