Sexta, 14 de Agosto de 2026
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Angus on Dairy abre nova oportunidade de renda para produtores de leite e ganha espaço no RS

Cruzamento com genética Angus permite agregar valor aos bezerros de propriedades leiteiras e já conta com frigoríficos parceiros recebendo animais no Rio Grande do Sul.

Por: Redação Acontece no RS
14/08/2026 às 13h15
Angus on Dairy abre nova oportunidade de renda para produtores de leite e ganha espaço no RS

Estratégia combina genética Angus com rebanhos leiteiros e pode transformar animais de menor valor comercial em uma nova fonte de receita para as propriedades.

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O Angus on Dairy, modelo que utiliza genética Angus em vacas leiteiras, vem ganhando espaço como alternativa para ampliar a rentabilidade das propriedades e aumentar a oferta de animais destinados à produção de carne certificada. Em entrevista ao Acontece no RS, o gerente nacional do Programa Carne Angus Certificada, Maychel Borges, explicou como funciona a estratégia, os cuidados necessários para adotá-la e o potencial do sistema para os produtores gaúchos.

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Segundo Borges, a proposta não é substituir a atividade leiteira. O leite continua sendo o negócio principal da propriedade, enquanto a genética Angus passa a ser utilizada em parte do rebanho para gerar animais com maior aptidão para produção de carne. Um dos objetivos é justamente agregar valor a uma questão recorrente na pecuária leiteira: os bezerros machos, que muitas vezes possuem menor valor comercial quando provenientes exclusivamente de genética leiteira. “É um novo negócio para ele, é um plus dentro da produção de leite”, explicou.

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A escolha da genética, porém, é um dos pontos considerados fundamentais. De acordo com Maychel, não basta utilizar qualquer touro Angus no cruzamento. É necessário escolher animais com características adequadas para corrigir aspectos das raças leiteiras relacionados à produção de carne, especialmente musculosidade, ganho de peso e desenvolvimento de carcaça. A Associação Brasileira de Angus possui indicações específicas para cruzamentos com raças como Holandesa e Jersey e oferece suporte técnico aos produtores interessados em iniciar o sistema.

O modelo pode ser adotado tanto por propriedades maiores quanto por pequenos e médios produtores. O que muda é a organização dentro da cadeia. Alguns produtores podem criar o bezerro somente até a desmama e comercializá-lo para outra propriedade responsável pela recria e terminação, enquanto outros podem conduzir o animal até o abate. Cooperativas também começam a desempenhar papel importante nesse processo ao conectar produtores, estruturas de engorda e frigoríficos.

Para entrar no Programa Carne Angus Certificada, os animais precisam atender critérios definidos de raça, idade e acabamento de carcaça. Conforme explicado na entrevista, é necessário ter pelo menos 50% de genética Angus. O programa também avalia idade e condições da carcaça no frigorífico antes da concessão da certificação. Borges destacou que a estrutura do programa já possui 29 parceiros e que, no último ano, mais de 600 mil animais foram abatidos dentro do sistema. Aproximadamente 11 mil toneladas de carne certificada também foram exportadas para mais de 35 países.

No Angus on Dairy, o Paraná aparece atualmente como um dos estados mais avançados, impulsionado pela força da produção leiteira e pela organização das cooperativas. Borges relatou que o programa começou acompanhando cerca de 40 animais provenientes desse modelo em 2024 e chegou a aproximadamente 1,2 mil animais no Paraná em 2025. No Rio Grande do Sul, frigoríficos parceiros já recebem animais provenientes desses cruzamentos desde 2024, e o Estado possui uma vantagem adicional: a forte presença histórica da raça Angus e a estrutura consolidada da pecuária de corte.

Para Maychel Borges, informação e assistência técnica serão determinantes para ampliar o modelo entre os produtores gaúchos. O gerente também avalia que o cenário internacional cria oportunidades para a carne brasileira de maior qualidade, especialmente diante da demanda por produtos premium. Para o produtor de leite, o Angus on Dairy surge nesse contexto como uma possibilidade de aproveitar a estrutura, alimentação e conhecimento técnico já existentes na propriedade para desenvolver uma nova fonte de receita sem abandonar a atividade principal.