
O ex-presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República José Robalinho Cavalcante defendeu a postura do colega autor da denúncia contra o jornalista Glenn Greenwald. O fundador do portal The Intercept Brasil foi acusado de estar envolvido no hackeamento de mensagens do ministro Sérgio Moro e de investigadores da Lava Jato em Curitiba. Para o jurista, o procurador Wellington Divino Marques de Oliveira, do Ministério Público Federal do Distrito Federal, agiu de forma técnica ao formular a peça. As declarações de Cavalcante foram dadas em entrevista ao programa Direto ao Ponto desta quarta-feira (22).
A ANPR, enquanto instituição que representa a categoria, ainda não se manifestou sobre o caso. No entanto, Robalinho Cavalcante, que presidiu a associação entre 2017 e 2019, disse que Marques de Oliveira fez uma interpretação jurídica e técnica do caso. “Não vejo politização nenhuma”, opinou. “Tornar isso como se fosse uma questão política enfraquece a organização jurídica brasileira como um todo”, prosseguiu o procurador.
Entidades representativas da classe jornalística protestaram contra a denúncia do MPF por ferir a liberdade de imprensa. Para José Robalinho Cavalcante, a acusação não representa perigo para o exercício profissional dos jornalistas. “Se essa interpretação em si está correta ou não, vai dizer o Judiciário, vão dizer as provas”, afirmou. “Mas não é um ataque à liberdade de imprensa e não é uma interpretação teratológica ou absurda”, completou o ex-presidente da ANPR.
José Robalinho Cavalcante evitou comentar se Glenn cometeu ou não crimes no caso. O procurador, no entanto, fez uma defesa da trajetória de Wellington Divino Marques de Oliveira como um profissional discreto. “Os senhores nunca viram ele fazer qualquer entrevista, é uma pessoa avessa a aparecer na imprensa”, sustentou. “Ele fez uma interpretação que lhe cabia como procurador natural e nós todos temos que respeitar esse posicionamento”, concluiu o ex-presidente da ANPR.
O procurador Wellington Divino Marques de Oliveira já havia denunciado o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, por supostas ofensas direcionadas a Sérgio Moro. Segundo o portal UOL, o membro do MPF também foi o autor de denúncias contra os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luís Inácio Lula da Silva em outras ocasiões. Todas as peças foram rejeitadas pelo Poder Judiciário.
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