
Reeleito para um segundo mandato no Palácio Piratini, Eduardo Leite (PSDB) concedeu entrevista exclusiva à Rádio Independente na tarde desta sexta-feira (4), no programa Redação no Ar. O tucano falou sobre como tem sido essa semana de descanso pós-eleição, adiantou como planeja conduzir o processo de transição no Governo do RS, destacou aspectos da sua agenda que deseja levar à frente em 2023, e também pontuou que pretende retomar as discussões sobre o projeto de concessão das rodovias do Vale do Taquari no ano que vem.
Segundo Leite, o objetivo é reabrir a discussão e fazer ajustes no projeto para reduzir atritos e conflitos com a região, que tem resistências quanto à posição dos pedágios, sobre o cronograma de obras e a não inclusão de trechos como a ERS-332, na parte alta do Vale.
Para o governador reeleito, é possível, sim, chegar a uma convergência. Por isso, demonstra disposição de diálogo e adoção de medidas mitigatórias e compensatórias sobre eventuais transtornos. “Retomar o dialogo e a discussão com lideranças regionais para contornar pontos que são de conflito”, destaca. Leite avalia que, mesmo com eventuais discordâncias e contrariedades, os benefícios do projeto em matéria de mobilidade urbana e infraestrutura de transporte são altos. Ele fala em “qualificar as rodovias da região para alavancar o desenvolvimento”.
Agenda para o segundo mandato
Eduardo Leite recorda das dificuldades financeiras pelas quais passou no primeiro mandato como governador do RS, entre elas problemas para pagar salários em dia, regularizar os repasses para os municípios, com impostos majorados no Estado e sem capacidade de investimentos. Tudo isso fruto de um desequilíbrio histórico nas contas públicas.
Com responsabilidade fiscal e uma agenda de reformas, o tucano diz que conseguiu recuperar a economia gaúcha e devolver a capacidade de investimento. “As pessoas perceberam isso”, entende ele, sobre o retorno do eleitorado nas urnas.
Leite diz que está consciente de que reeleição não é um prêmio, mas sim a renovação de um compromisso e a expectativa da população do que ele e seu grupo político ainda podem fazer pelo Rio Grande do Sul. “A recondução vem carregada de expectativas e esperanças”, afirma.
Transição no RS
O governador reeleito conta que, na próxima segunda-feira (7), deve instalar em Porto Alegre o gabinete de transição. Ele pretende discutir com sua equipe a estrutura das secretarias para prepara o estado para um novo ciclo, agora com recursos e capacidade de investimentos. Segundo Leite, a ideia é repensar os fluxos de processos dentro do governo gaúcho para ter uma melhor performance.
Antes da composição do secretariado, a equipe se reunirá para redesenhar a estrutura administrativa do Estado. A equipe ganhar forma no início de dezembro, estima o governador reeleito.
Questionado sobre a participação do atual governador, Ranolfo Vieira Jr, no seu segundo governo, Leite diz que ele tem “capacidade e competência”. Além de seu vice, Ranolfo, que foi chefe de Polícia Civil no RS, também tinha as atribuições de secretário de Segurança Pública.
Relação com Lula e o PT
No Rio Grande do Sul, Eduardo Leite afirma que o PT não irá compor a base do novo governo a partir de 2023 porque ambos têm diferenças programáticas e visões de Estado distintas. O partido declarou apoio crítico a Leite no segundo turno contra Onyx Lorenzoni (PL).
Já no governo federal, o futuro governador diz que manterá relações republicanas. Segundo ele, será um “tratamento republicado em defesa dos interesses do Rio Grande do Sul”. A ideia é trabalhar em parceria. Porém, “se ferir os interesses dos gaúchos, do nosso estado, a gente tem que saber se posicionar de forma firme em defesa dos nossos interesses”.
Leite não virá à abertura da Expovale + Construmóbil
O governador eleito do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite afirmou que não virá à abertura da Expovale + Construmóbil, que ocorre às 18h da próxima quinta-feira (10).
“Infelizmente, não vou conseguir estar na abertura da Expovale. Tenho compromisso assumido em Brasília com o meu partido (PSDB) e com o processo de discussão em nível nacional, com lideranças, tanto no Judiciário quanto no governo de transição em nível federal, que não vão me permitir estar aqui na quinta-feira. Deixo meu abraço, mas certamente voltarei a participar em muitas atividades na região do Vale do Taquari”, disse.
Fonte: Rádio Independente