Quarta, 29 de Julho de 2026
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“Como um dia com meu filho doente me ensinou que a produtividade não aumenta nosso valor como seres humanos”, diz mãe

Jillian Benfield escreveu uma carta de desabafo, depois de perceber que não podemos ser valorizados pelo trabalho remunerado que fazemos ou deixamos de fazer

Por: Redação Acontece no RS Fonte: Revista Crescer
07/09/2022 às 21h44
“Como um dia com meu filho doente me ensinou que a produtividade não aumenta nosso valor como seres humanos”, diz mãe
JILLIAN E O FILHO, ANDERSON (FOTO: REPRODUÇÃO/ LOVE WHAT MATTERS)

Mãe de um menino de 6 anos, que tem síndrome de Down. Ela exerce trabalhos remunerados, mas, um dia, enquanto precisou parar tudo para cuidar do pequeno, que ficou doente, ela se deu conta de como costumamos medir as pessoas pelo que elas produziram - em termos de trabalho remunerado. Foi então que ela escreveu a seguinte carta, que viralizou na web. O texto foi publicado pelo site Love what matters.

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Confira:

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“‘Não fiz nenhum trabalho hoje’, eu disse ao meu marido, na semana passada.

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Eu estava em casa com uma criança doente, com uma doença misteriosa que simplesmente não ia embora.

Mais tarde, percebi, com essa afirmação, que havia voltado aos meus velhos hábitos. Se eu me aprofundar um pouco mais, verei que minhas velhas crenças diziam que eu tinha que produzir para ser um ser humano digno.

Não fiz nenhum trabalho que gerasse minha renda de meio período naquele dia.

Só deitei ao lado do meu filho, que estava muito enjoado. Até assistir TV fazia com que ele se sentisse mal.

Lavei muita roupa limpando o 'produto' de seu enjoo.

Não abri meu laptop uma vez, mas abri meu dia para ser totalmente dedicado a quem mais precisava de mim.

Senti que não trabalhei naquele dia porque não fiz o trabalho que o mundo mais valoriza. O tipo de trabalho que eu valorizo ​​também.

Mas eu trabalhei; fiz o trabalho do amor. O tipo mais importante.

Tenho a sensação de que nos dias em que você sente que não fez nada, provavelmente fez mais do que imaginava.

Deus, por favor, ajude-nos a ver valor em cada tipo de trabalho que fazemos. E ajude-nos a saber que nosso nível de produção nunca pode aumentar nosso valor, nem tirá-lo".

A conta que não fecha: como equilibrar carreira, filhos e saúde mental?

A cobrança por produtividade profissional, enquanto se desdobra para cuidar dos filhos - ainda mais quando algo inesperado, como uma doença, acontece - faz parte da famosa culpa materna. Equilibrar todos os pratinhos, realmente, não é simples, e, muitas vezes, é preciso mesmo deixar um deles cair. “A conta 'mulher, trabalho e filhos', simplesmente não fecha. E as mulheres que estão tentando fazer com que feche estão deprimindo, somatizando e adoecendo”, disse a psicanalista, mestre e doutora em psicologia, Vera Iaconelli, que também é diretora do Instituto Gerar, em São Paulo, em uma entrevista à CRESCER. “Precisamos mudar nossos combinados: a forma como a gente encara o trabalho, como o trabalho nos encara, como as políticas públicas encaram as mulheres e como os homens encaram as mulheres. Elas precisam começar a lutar por direitos em uma sociedade profundamente desigual. Se continuarem tentando dar conta de algo que não é justo, só estarão preservando essa injustiça”, completou.

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