
O frio que tomou conta da Serra Gaúcha com a chegada do inverno tem um papel decisivo para a produção de uva no Rio Grande do Sul. É nesta época que as videiras entram em repouso — uma fase essencial para garantir a brotação uniforme na primavera e uma boa safra no ciclo 2026/2027. Entre as parreiras que dependem desse descanso está a uva Isabel, a mais cultivada do estado.
Durante o inverno, a videira perde as folhas e entra em um estado de dormência, uma espécie de "sono profundo". Sem folhagem, a planta reduz a atividade ao mínimo e poupa energia para sobreviver às baixas temperaturas. Esse repouso não é um problema: é justamente o que a parreira precisa para se reorganizar antes de voltar a crescer.
O segredo está nas chamadas horas de frio. A videira, como outras frutíferas de clima temperado, precisa acumular um número mínimo de horas sob temperaturas baixas, geralmente abaixo de 10 °C, para superar a dormência. Quando esse frio não vem em quantidade suficiente, a brotação tende a ficar irregular e desuniforme, o que pode comprometer a produção meses depois.
É também no fim do inverno que entra em cena a poda, uma das etapas mais importantes do manejo. Pesquisadores da Embrapa Uva e Vinho e da Secretaria da Agricultura do RS acompanham esse acúmulo de frio no Boletim Agrometeorológico da Serra Gaúcha. Segundo a orientação técnica, um inverno bem frio costuma ser sinal de uma brotação forte e uniforme na primavera seguinte.
A uva Isabel se beneficia diretamente desse ciclo. Rústica e resistente, ela se adaptou muito bem ao clima do Sul e responde por cerca de metade da uva produzida no estado, de acordo com a Embrapa. É a base do suco de uva brasileiro e também rende vinho de mesa, presente em grande parte das pequenas propriedades da região.
Na prática, o frio que faz o gaúcho reclamar é o mesmo que sustenta a tradição vitivinícola da Serra. Para o produtor, o inverno é tempo de poda e de cuidados com a sanidade do parreiral. Para o consumidor, é a garantia de que a próxima safra de uva, suco e vinho está sendo preparada — silenciosamente, parreira por parreira, sob as manhãs geladas do interior do RS.
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