
O frio das últimas semanas reduziu a produção de mel no Rio Grande do Sul, maior estado produtor do país, e levou apicultores a reforçar o manejo das colmeias para manter os enxames durante o inverno. As baixas temperaturas vêm impactando diretamente a apicultura no estado, segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar.
O motivo é biológico. Com o frio, as abelhas reduzem a atividade e se agrupam dentro da colmeia para manter o calor. A queda das temperaturas compromete o forrageamento — a busca por alimento — e exige medidas extras de manejo dos produtores para garantir a manutenção dos enxames no período mais rigoroso.
O impacto não é igual em todo o estado. Nas regiões de Caxias do Sul, Erechim, Porto Alegre e Santa Rosa, a combinação de temperaturas baixas e chuvas pontuais reduziu de forma significativa as floradas disponíveis para as abelhas, diminuindo a oferta de alimento natural. Menos flor no campo significa menos néctar e, no fim, menos mel.
O frio ainda cria um problema na hora de processar o produto. Na região de Itaqui, ligada ao escritório de Bagé, as baixas temperaturas aceleraram a cristalização do mel, o que dificulta o trabalho de quem não tem estrutura climatizada para extração e beneficiamento, elevando custos e reduzindo a eficiência.
Para atravessar a estação, os produtores recorrem ao reforço da alimentação dos enxames. Os apicultores intensificaram a suplementação proteica das colmeias e adotaram práticas de manejo para preparar a criação para o inverno. Em regiões como Ijuí, a situação segue mais estável, com colmeias que mantêm boas reservas.
A redução, porém, é sazonal e tende a se recuperar com as floradas da primavera. Vale lembrar o peso da atividade no estado: o Rio Grande do Sul é o maior produtor de mel do Brasil, com cerca de 9 mil toneladas colhidas em 2023, segundo o IBGE. Para o apicultor gaúcho, a recomendação dos técnicos é clara neste período — vigiar as reservas das colmeias, reforçar a alimentação quando necessário e evitar abrir os enxames em dias muito frios.
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