Segunda, 03 de Agosto de 2026
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Flávio Bolsonaro diz que quem recebe Auxílio Brasil não passa fome; pesquisador desmente

O benefício é importante, mas não é suficiente para aliviar os efeitos do contexto econômico adverso – causado, entre outros motivos, por outras políticas do governo

Por: Redação Acontece no RS Fonte: CARTA CAPITAL
09/06/2022 às 14h42 Atualizada em 09/06/2022 às 14h48
Flávio Bolsonaro diz que quem recebe Auxílio Brasil não passa fome; pesquisador desmente
Em pronunciamento, o senador Flávio Bolsonaro. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro (PL), minimizou e distorceu a situação vivida por mais de 33 milhões de brasileiros que passam fome no Brasil, revelado pelo 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, produzido pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, a Rede Penssan.

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O parlamentar disse, em entrevista à CNN Brasil nesta quarta-feira 8, que o governo do seu pai teria ‘feito tudo o que estava seu alcance’ para conter o drama vivido por esta parcela da população. Afirmou ainda que beneficiários do Auxílio Brasil, que recebem 400 reais por mês, podem até enfrentar dificuldades, mas não estariam passando fome – não podendo, portanto, ser contabilizados como parte dos 33 milhões de afetados pela insegurança alimentar no País.

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“Quem recebe 400 reais por mês de Auxílio Brasil pode ter dificuldade, mas fome não passa. O presidente Bolsonaro zerou os impostos federais sobre arroz, feijão, zerou impostos de importação sobre os derivados do petróleo que vem para abastecer as nossas redes de postos”, argumentou. “Quer dizer, o que está ao alcance dele ele tá fazendo.”

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Em entrevista ao canal de CartaCapital no YouTube, Renato Maluf, coordenador da Rede Penssan e ex-presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), já havia rebatido as falácias ecoadas pelo senador. Segundo ele, o ex-capitão foi o responsável pela desidratação ou mesmo pela extinção de diversos programas consolidados de combate à fome no Brasil e, portanto, seria um dos motivadores para o retrocesso de 30 anos observado no País.

“Comparamos o grau de insegurança alimentar de quem recebeu o Auxílio Brasil com o grau de insegurança alimentar de quem não recebia. E ele é praticamente o mesmo”, explicou. “O Auxílio Brasil, ainda que possa ter equacionado algumas questões, não tirou essas famílias da insegurança alimentar e da condição de fome.”

Ainda na entrevista, o pesquisador destacou que o benefício foi usado, segundo os relatos de beneficiários, para pagar dívidas.

“Tudo mais no entorno, desemprego, inflação, baixo salário e renda, além de escola que não dá refeição, seguem existindo. Então, vários beneficiários usaram o Auxílio para pagar dívidas, porque precisaram se endividar”, destacou.

O coordenador da Penssan também explicou em outro trecho que Bolsonaro poderia ter evitado a atual situação se não tivesse radicalizado ainda mais um desmonte de mecanismos e programas iniciado no pós-golpe, durante o governo Michel Temer (MDB).

“Quando entra este governo atual, ele radicaliza [esse desmonte]. A primeira medida deles foi fechar o CONSEA. Isso significa um desprezo pela participação social em política pública e um desmonte de um espaço que todos os setores consideravam fundamental para articular a política de segurança alimentar”, lamentou.

“Outros espaços de governo também foram desmontados, como uma câmara interministerial que existia para discutir segurança alimentar”, lembrou ainda antes de citar o esvaziamento nas verbas de programas como o Alimenta Brasil, que viu seu orçamento cair de mais de 500 milhões de reais para apenas 89 mil reais em 2022.

Para Maluf, os dados apenas demonstram a perversidade da política econômica do atual governo.

“Não gosto de dizer nem que a fome é um projeto neoliberal, porque parece que é uma opção teórica. É pura perversão mesmo. Esse tipo de política econômica é pura perversão”, disse. “É um governo que despreza absolutamente temas sociais relevantes. Você nunca ouviu o presidente da República falar uma palavra sobre esse tema.”