
Ministros da ala militar do primeiro escalão, no Planalto, agem para tentar reverter uma possível saída do ministro da Justiça, Sergio Moro, do governo após o presidente Jair Bolsonaro comunicar a ele que vai trocar o comando da Polícia Federal, atualmente ocupada pelo delegado Maurício Valeixo. De acordo com interlocutores do presidente, Moro não chegou a pedir demissão, mas afirmou que não concorda com a troca e que pensa em reavaliar a permanência no governo.
Ao fim de reunião, na manhã desta quinta-feira, o ministro da Justiça deixou o Palácio do Planalto sem uma definição do seu futuro. Bolsonaro quer indicar o nome do chefe da PF, mas Moro resiste a ficar sem Valeixo, com que trabalha desde os tempos da Operação Lava Jato, e, principalmente, não ter poder de decisão sobre um dos principais cargos do ministério.
Nos bastidores, no entanto, a ameaça de demissão é encarada como uma pressão de Moro, o ministro mais popular do governo. Por outro lado, Bolsonaro, durante a crise com o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que não há ministro “indemissível”. Em outra ocasião, falou em usar a caneta contra pessoas do governo que “viraram estrelas”.
Para interlocutores do presidente, o recado mirou não apenas Mandetta, mas também Moro, que vinha sendo alvo de reclamação de Bolsonaro por não se empenhar na defesa das posições do governo.
É a segunda vez que o presidente ameaça impor um novo nome na cúpula da corporação. Embora a indicação para o comando da PF seja uma atribuição do presidente, tradicionalmente é o ministro da Justiça quem escolhe.
Nessa tarde, o ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto, garantiu que não há a possibilidade de desligamento de Moro. Em coletiva à imprensa, o general disse que a “assessoria de Moro já desmentiu sua saída da pasta”.
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