
O Rio Grande do Sul registrou a segunda menor produtividade de soja entre os 22 estados produtores do Brasil na safra 2025/26. Conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), as lavouras gaúchas alcançaram uma média de 2.769 quilos por hectare, equivalente a 46,15 sacas, ficando à frente apenas do Amapá.
O resultado ficou abaixo da média brasileira, que atingiu 3.622 quilos por hectare, ou 60,36 sacas. A Bahia liderou o ranking nacional, com 4.260 quilos por hectare, enquanto Mato Grosso registrou 3.969 quilos. No território gaúcho, a produção totalizou 18,632 milhões de toneladas, cultivadas em aproximadamente 6,73 milhões de hectares.
A diferença de rendimento representa um desafio para a agricultura do Estado. Caso as lavouras gaúchas alcançassem a produtividade média nacional, a colheita poderia chegar a 24,971 milhões de toneladas. Além das perdas para os agricultores, o desempenho inferior também afeta a circulação de recursos no comércio e a arrecadação tributária.
Embora as estiagens frequentes estejam entre os principais fatores que prejudicam a produção, especialistas ouvidos pelo Correio do Povo apontam que as condições do solo e as práticas agrícolas também influenciam os resultados. Segundo Gildomar Lindemann, coordenador de Levantamento de Safra da Agroconsult e do projeto Rally da Safra, características ambientais, escolha de sementes, época de plantio e tecnologias utilizadas contribuem para as diferenças de produtividade.
O pesquisador José Eloir Denardin, da Embrapa Trigo, destaca que a compactação, a acidez e o desequilíbrio de nutrientes comprometem o desenvolvimento das raízes e dificultam o armazenamento de água no solo. Dessa forma, mesmo quando ocorrem precipitações, parte da umidade pode não ficar disponível para as plantas, aumentando os efeitos dos períodos de seca.
Uma pesquisa da Embrapa Agropecuária Oeste, realizada ao longo de 28 safras, entre 1998 e 2026, também demonstrou a importância das práticas de conservação. O levantamento identificou um aumento médio de 11,1% na produtividade a cada avanço no nível de qualidade do manejo do solo, evidenciando a relação entre os cuidados com a terra e o rendimento das lavouras.
Em Cruz Alta, o engenheiro-agrônomo e produtor Mauricio de Bortoli defende investimentos de longo prazo na recuperação e conservação do solo. Entre as medidas destacadas estão a rotação de culturas, a utilização de plantas de cobertura e a correção da fertilidade. Segundo ele, mudanças adotadas na propriedade familiar permitiram alcançar uma produtividade aproximadamente 20 sacas por hectare superior à média do município, reforçando a importância do manejo para reduzir os impactos das adversidades climáticas.