Quarta, 28 de Outubro de 2026

Raiva herbívora exige atenção e prevenção no meio rural

Transmitida por arranhões, mordidas ou lambidas de animais infectados, a doença é fatal para mamíferos, como bovinos, equinos e também para os seres humanos.

Por: Redação Acontece no RS
27/10/2026 às 23h26
Raiva herbívora exige atenção e prevenção no meio rural
Raiva herbívora exige atenção e prevenção no meio rural

A raiva herbívora exige vigilância constante dos produtores rurais. De janeiro a setembro de 2026, 66 amostras de herbívoros testaram positivo para o vírus no Rio Grande do Sul, segundo dados do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (IPVDF), vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).

Transmitida por arranhões, mordidas ou lambidas de animais infectados, a doença é fatal para mamíferos, como bovinos, equinos e também para os seres humanos. "A raiva é causada por um vírus. É uma zoonose que afeta tanto os animais como os seres humanos. Esse vírus tem uma predileção pelo sistema nervoso e causa sintomas neurológicos, como tontura e dor de cabeça. E é uma doença que não tem cura, uma doença fatal", explica a fiscal agropecuária da Seapi, Carla Rosane Rodenbusch.

Os principais transmissores da doença são os morcegos hematófagos, que se alimentam do sangue de outros vertebrados. A extensionista rural da Emater/RS-Ascar Thais Michel explica que, como mamífero, o morcego infectado com raiva também acaba morrendo. No entanto, por apresentar um período mais longo de incubação da doença, pode transmitir o vírus por mais tempo. Por essa razão, a presença de morcegos em uma propriedade rural nem sempre coincide com o início dos sintomas de raiva do rebanho.

De acordo com Carla Rodenbusch, os casos de raiva em herbívoros no Rio Grande do Sul costumam se concentrar nos meses de maio a outubro. Isso porque, antes disso, nos meses mais quentes, aumenta a atividade dos morcegos e o contato com os animais nas propriedades. Como a doença leva de dois a quatro meses para se manifestar, os registros acabam aparecendo meses depois.

COMO AGIR DIANTE DE CASOS SUSPEITOS

Caso encontre um morcego ou suspeite da doença no rebanho, a orientação aos produtores rurais é evitar o contato com os animais e acionar os órgãos de vigilância em saúde da Prefeitura Municipal e/ou a Inspetoria de Defensoria Agropecuária do Estado.

Ainda, se encontrar um morcego vivo ou morto, a orientação é não tocar diretamente no animal, tentar coletar de forma segura e entregar o animal em uma unidade de saúde para que ele seja encaminhado ao IPVDF para diagnóstico de raiva. Já em casos de presença de morcegos na propriedade ou mordedura de morcegos em animais rurais, deve-se procurar a Inspetoria de Defesa Agropecuária e fazer o registro da suspeita de raiva para que a sejam identificados os refúgios dos morcegos.

“Sempre que desconfiar de algum animal do rebanho que está com um comportamento diferente do normal, que está com dificuldade de caminhar, mais apático, não está se alimentando direito, que saliva muito, o recomendado é que o produtor já deixe aquele animal isolado, não manipule ele”, salienta Thais Michel.

Após a notificação do caso suspeito, o órgão competente faz a coleta de amostras após a eutanásia ou morte natural do animal, e a envia para análise laboratorial no IPVDF. No centro de diagnóstico e pesquisa, as amostras são protocoladas e analisadas. “A gente faz o primeiro teste, que é a imunofluorescência. Se der positivo, essa amostra é considerada positiva. Se for negativo, a gente faz um segundo teste para ter certeza de que aquela amostra era negativa mesmo”, pontua Carla Rodenbusch.

Quando houver uma possível exposição ao vírus, a orientação da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul é lavar imediatamente o local da mordida, lambida ou arranhão com água corrente e sabão, além de procurar assistência médica para realizar a aplicação de vacina e/ou soro antirrábico se necessário.

A fiscal agropecuária reforça a importância da notificação dos casos suspeitos a fim de monitorar a circulação do vírus da raiva e permitir a adoção das medidas necessárias para proteger quem teve contato com o animal. “A raiva é uma doença que não tem cura e a vacinação é a principal forma de prevenção. É preciso fazer o diagnóstico para ter a confirmação do vírus para que as pessoas que entraram em contato com esse animal recebam a vacinação, evitando que adoeçam”, afirma Carla.

MONITORAMENTO DA DOENÇA

Os registros do IPVDF indicam que menos de 5% das amostras de morcegos enviadas para análise no Rio Grande do Sul apresentam contaminação pelo vírus da raiva. A notificação dos casos suspeitos contribui para o monitoramento da zoonose e ajuda a preservar uma espécie que é fundamental para o meio ambiente.

“Os morcegos são animais protegidos por lei, a gente não pode matar eles. Outra questão é que os morcegos têm um papel ecológico, com diferentes hábitos alimentares. Temos aqueles que se alimentam de frutas e dispersam as sementes, aqueles que se alimentam de insetos e fazem o controle de pragas, aqueles que são polinizadores. Então o morcego tem um papel muito importante na natureza, por isso que eles são animais protegidos por legislação”, detalha Carla Rodenbusch.

A extensionista rural da Emater/RS-Ascar Thais Michel salienta que a raiva não tem cura, mas pode ser prevenida com a vacinação anual do rebanho e a notificação de casos suspeitos. “A vacina custa em torno de R$ 3 a dose. Perto do prejuízo que esse produtor vai ter em relação à perda desse animal, a vacina acaba tendo um valor muito pequeno”, completa.

Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar

Jornalista Tássia Becker Alexandre