
A virada do tempo surpreendeu a população de Porto Alegre na manhã desta sexta-feira, 7. Após dias de abafamento, o Rio Grande do Sul foi atingido pelo avanço da instabilidade na noite de quinta-feira, 6, e agora enfrenta uma brusca queda de temperatura.
Os ventos fortes que alcançam o Estado desde o fim da tarde de quinta seguem ao longo desta manhã, desta vez sem chuva. Na noite de ontem, além dos registros de danos estruturais, muita gente precisou se abrigar até o temporal passar. Foi o caso da servidora pública Monica Machado, moradora da zona sul da Capital, que acabou se protegendo em uma academia no bairro Cidade Baixa, junto de outras pessoas, à espera do pior momento da tempestade.
“Eu estava na academia quando veio o alerta da Defesa Civil no celular. Já foi aquela correria, as pessoas se movimentando para sair. Mas o tempo virou naquele mesmo momento e a gente acabou ficando por ali mesmo, para se abrigar. Foi bem impactante. Vento muito forte, chuva forte. Foi bem difícil. E agora, pela manhã, a gente já sentiu a diferença na temperatura”, relata.
O vento e o frio desta sexta-feira são causados por um ciclone-bomba que atinge diversas regiões gaúchas desde a noite de quinta e que deve manter as temperaturas baixas nos próximos dias.
No início da manhã, o sol apareceu entre nuvens, mas com nebulosidade ainda predominante. Segundo a MetSul Meteorologia, há possibilidade de chuvas isoladas na Metade Norte do Estado.
O amanhecer desta sexta-feira registrou mínimas de até 6ºC no Estado, com os menores índices em Livramento, Bagé e em São José dos Ausentes. Em Porto Alegre, o vento intensificou a sensação de frio.
Na quinta-feira, as máximas chegaram aos 26ºC no Estado, acompanhadas da sensação de abafamento. Para hoje, a MetSul prevê máximas de até 16ºC na Capital, uma queda de 10 graus em menos de 24 horas.
Parte da população já apostava que o frio do inverno não voltaria com força. “Eu não estava esperando um frio assim. Até achei que o tempo não fosse mais mudar, porque foram muitos dias de calor. Imaginei que ia esfriar, mas não tanto”, diz Karen Ribeiro, moradora de Canoas. Ela conta que, na noite de quinta, precisou se abrigar com medo de destelhamento e que houve registro de danos estruturais perto de casa.
Já para José Carlos, que reside no bairro de Santana, a oscilação é característica “básica” do Rio Grande do Sul. “Um dia é capaz de fazer todas as estações”, resume. Ele conta que o casaco que veste nesta sexta estava guardado havia duas semanas.
A bombeira civil Suelen Ribeiro compartilha a mesma percepção, mas diz que o desafio é separar o profissional do pessoal. Ela conta que já esperava a mudança no tempo, mas se surpreendeu com a força dos ventos. “Com essas temperaturas loucas, em que uma hora está quente, outra está frio, e a maneira que o inverno chega junto com chuva forte, destelhando tudo, é bem assustador”, relata.
Suelen atua na área de prevenção, mas conta que o lado pessoal também foi abalado pelo caos da noite de quinta. “Foi horrível. Em casa, não conseguia falar com ninguém. Eu moro na zona leste, na Lomba do Pinheiro, mas meus filhos estão em Campo Bom, na casa do pai, e lá faltou luz. Eles estão sem internet até agora. Tu tem que manter o profissional, mas ao mesmo tempo fica pensando em como está a família. Mas eles estão bem, só faltou luz, e isso a gente dá um jeito”, conclui.