Quinta, 06 de Agosto de 2026
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Hospitais de Porto Alegre têm restrição de atendimentos devido à superlotação

A ocupação está acima da capacidade também em unidades de pronto-atendimentos, como a Moacyr Scliar, na zona Norte de Porto Alegre.

Por: Redação Acontece no RS Fonte: Correio do Povo
06/08/2026 às 12h25
Hospitais de Porto Alegre têm restrição de atendimentos devido à superlotação
Nesta semana, o Hospital de Clínicas entrou em restrição máxima por 24 horas Foto : Mauro Schaefer

As emergências SUS de hospitais de Porto Alegre operam com restrição de atendimentos em emergências devido à superlotação. Há três dias, o Hospital de Clínicas entrou em restrição máxima por 24 horas. Nesta quinta-feira, a instituição está com 132 pacientes na emergência adulto, atendendo apenas a casos de risco de morte. A emergência pediátrica também está superlotada e atende apenas a casos graves, com 143% de ocupação.

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O Hospital Santa Casa registra ocupação de 243%, sendo 68 leitos ocupados para 28 operacionais, de acordo com a última atualização do painel de ocupação da Secretaria Municipal da Saúde (SMS). A instituição está recebendo apenas pacientes encaminhados por órgãos públicos. O Hospital São Lucas da PUCRS também está operando com restrições, recebendo apenas pacientes graves e encaminhados pela SMS. A emergência está em reformas desde junho.

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Entre os outros hospitais que operam acima da capacidade, está o Conceição. Desde terça-feira, a instituição tem informado que está em nível crítico de superlotação, com restrição máxima e apenas atendendo casos com risco de morte enquanto a situação continuar. Nesta manhã, a instituição registrou 143% de ocupação, com 73 leitos ocupados para 51 leitos operacionais.

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Carência de leitos hospitalares

O chefe do Serviço de Emergência do Clínicas, Daniel Pedrollo, explica que a situação da instituição segue crítica. A restrição máxima, que começou na terça-feira, durou 30h. "A gente está com um pouco menos de pacientes, mas ainda segue com lotação bastante relevante. Ainda operamos com restrições para casos com vínculo com o hospital, transplantados e pacientes oncológicos que estão em tratamento ativo".

O principal desafio envolve a carência de leitos hospitalares, explica o profissional. "O problema que temos atualmente é um número grande de pacientes que têm indicações de internação hospitalar e que estão presos nas emergências porque não têm acesso a leitos hospitalares. É uma emergência que tem um volume grande de atendimentos, a gente precisaria de leitos a mais do que temos no hospital para conseguir dar vazão aos pacientes que a gente atende". Ele reforça que as demandas dos pacientes não podem ser resolvidas em unidades básicas de saúde ou UPAs, mas que acabam fazendo o seu tratamento dentro da emergência porque não têm acesso ao leito.

A situação não é recente. Também, não há uma causa específica, mas ocorre desde o final da pandemia. "Esse volume de atendimento muito maior é decorrente de pacientes com necessidade de internação, falência de outros setores externos que acabam ocasionando que aumente a busca da emergência de pacientes com complexidades relevantes com necessidade de internação, e o número de leitos que a gente tem não contempla esse volume todo de pacientes que a gente atende nas emergências", explica Pedrollo. Questões como o crescimento do envelhecimento da população no Estado colabora para o aumento das demandas hospitalares e mais necessidades de intervenções, aponta o profissional.

O gerente de Internação do Conceição, Gabriel Hey, destacou que as situações de superlotação são consideradas crônicas na Capital. "A gente teve um aumento de quase 10% nas internações do primeiro semestre desse ano relacionadas aos primeiros semestres do ano passado. A gente tem internado um número muito maior de pacientes e a gente precisa lançar mão de medidas para conseguir acolher toda a população dentro da nossa emergência e dar o atendimento necessário".

Ele lembra que a emergência do Conceição tem um espaço físico delimitado, onde só é possível acolher 51 pacientes em leitos. A partir disso, é necessário acionar o protocolo de restrição na emergência. Por conta da demanda em hospitais de menor complexidade, os atendimentos também acabam sendo represados em instituições como o Conceição.

A orientação do Clínicas é que apenas pacientes que tenham vínculo com a instituição procurem o hospital. Os atendimentos terão classificação de risco e, dependendo do caso, poderão ser encaminhados para uma unidade básica de saúde. No Conceição, os pacientes que procuram o hospital também irão passar por uma avaliação de enfermagem e será verificada a possibilidade de passar para classificação de risco ou ser encaminhado para outra unidade.

Unidades de pronto-atendimento

As unidades de pronto-atendimentos também estão operando acima da capacidade. A mais sobrecarregada é a Moacyr Scliar, na zona Norte da Capital, que está com 347% de ocupação. Já o PA Bom Jesus está com 238% de ocupação. A unidade de Cruzeiro do Sul está operando com 200% de lotação, enquanto a Lomba do Pinheiro está com 188% de ocupação.