
A ação foi coordenada pela Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), e teve como foco uma célula da facção com base de atuação em Cachoeirinha.
Segundo a Polícia Civil, a investigação começou após a prisão, em abril de 2025, de um homem apontado como liderança regional da organização criminosa, capturado em Xangri-lá. A partir do avanço das diligências, os investigadores passaram a apurar a estrutura financeira do grupo.
Conforme a apuração, foi identificado um esquema de lavagem de dinheiro baseado na ocultação de patrimônio, movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada, uso de terceiros como "laranjas" e empresas utilizadas para dissimular recursos obtidos em atividades criminosas.
Ainda de acordo com a investigação, o dinheiro seria proveniente de crimes como tráfico de drogas, delitos violentos e exploração de jogos de azar.
A Polícia Civil afirma que a facção possuía uma estrutura organizada, dividida em diferentes núcleos, entre eles liderança, setor empresarial e financeiro, apoio para ocultação de bens e um núcleo político-administrativo.
Conforme os investigadores, um dos integrantes desse grupo é o detento William Ramos Silveira, que fugiu da Penitenciária Estadual de Charqueadas, em maio deste ano, em uma fuga que teria contado com facilitação de um policial penal, preso durante uma operação no início deste mês.
Outro ponto destacado pela investigação envolve uma empresa apontada como possível fachada. Segundo a Polícia Civil, a empresa não possuía sede física definida nem funcionários e trocava sucessivamente de administradores, que seriam utilizados como "laranjas".
Mesmo assim, conforme levantamento do Ministério Público de Contas junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS), ela teria recebido cerca de R$ 3 milhões da Prefeitura de Cachoeirinha e mais de R$ 10 milhões da Prefeitura de Canoas nos últimos três anos.
As ordens judiciais foram cumpridas em Porto Alegre, Canoas, Cachoeirinha, Gravataí, Charqueadas e também em Itajaí, em Santa Catarina, com apoio da Polícia Civil catarinense.
Segundo o diretor da Draco e responsável pela investigação, delegado Max Otto Ritter, o objetivo é atingir a sustentação financeira das organizações criminosas. "Busca-se não apenas investigar os graves crimes cometidos pelas organizações criminosas, mas também proceder à sua descapitalização e asfixia, ao sequestro e indisponibilidade de bens e à recuperação de ativos financeiros", afirmou.
O delegado Luis Firmino, diretor interino do Deic, destacou que a operação integra a estratégia da Polícia Civil de enfraquecer financeiramente as facções criminosas que atuam no Rio Grande do Sul.