
O desaparecimento de Silvana Germann de Aguiar e dos pais dela, Isail e Dalmira Aguiar, completa seis meses sem que os corpos das vítimas tenham sido localizados. Enquanto as investigações seguem em busca de respostas, a ação penal contra os denunciados ainda está nas fases iniciais de tramitação na Justiça.
Conforme o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), o processo encontra-se na etapa de apresentação das respostas à acusação pelas defesas dos réus. Somente após a análise dessas manifestações pelo juízo será avaliada a designação da audiência de instrução e julgamento.
A movimentação mais recente da investigação ocorreu no final de junho, quando uma denúncia anônima mobilizou uma força-tarefa em Canoas. A informação indicava que os corpos poderiam estar enterrados em uma área de mata e banhado próxima à Praia do Paquetá, no bairro Mato Grande.
A ação reuniu policiais civis, brigadianos e equipes do Corpo de Bombeiros Militar, que empregaram uma cadela farejadora para realizar buscas em dois pontos distintos. Após cerca de três horas de diligências, nenhum vestígio foi encontrado.
Silvana e os pais desapareceram entre os dias 24 e 25 de janeiro, em Cachoeirinha. O policial militar Cristiano Domingues Francisco responde ao processo acusado de matar a ex-esposa, o sogro e a sogra, além de ocultar os corpos das vítimas.
Preso preventivamente desde fevereiro, ele é réu por duplo feminicídio e homicídio, ocultação de cadáver, furto, fraude processual e associação criminosa. Também responde ao processo a atual esposa do policial, Milena Ruppenthal Domingues.
Embora não tenha sido indiciada pela Polícia Civil pelas mortes, ela foi denunciada pelo Ministério Público por participação nos crimes. Segundo a acusação, Milena teria contribuído para a execução do plano criminoso e atuado na ocultação dos fatos após as mortes.
O irmão do policial, Wagner Domingues Francisco, também é réu por ocultação de cadáver, fraude processual e associação criminosa.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público divergiu parcialmente das conclusões do inquérito policial. Além de incluir Milena entre os acusados pelos homicídios, o órgão classificou as mortes de Silvana e de sua mãe, Dalmira, como feminicídios, em razão do contexto de violência familiar.
De acordo com a investigação, a motivação dos crimes estaria relacionada à disputa pela guarda do filho de Cristiano e Silvana. Mesmo após seis meses do desaparecimento, os corpos das três vítimas ainda não foram encontrados.