Segunda, 24 de Agosto de 2026
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Mel de inverno: apicultores do RS explicam a diferença de sabor e por que é mais valioso

O mel de inverno da Serra gaúcha, o “ouro negro” de melato de bracatinga, é mais escuro, raro e valioso que o floral. Veja por que e onde achar.

Por: Renata Oliveira
25/06/2026 às 16h48
Mel de inverno: apicultores do RS explicam a diferença de sabor e por que é mais valioso

O frio que cobre a Serra Gaúcha de geada e neblina também marca a estação de um dos méis mais cobiçados do Brasil: o mel de melato de bracatinga, conhecido como "ouro negro". Mais escuro, menos doce e rico em minerais, esse mel de inverno é produzido nos Campos de Cima da Serra e vale bem mais do que o mel floral comum.

A diferença começa na origem. Enquanto o mel tradicional vem do néctar das flores, o melato de bracatinga nasce de uma associação rara: cochonilhas se fixam no tronco da bracatinga, árvore nativa do sul do Brasil, e liberam um líquido açucarado que as abelhas coletam. O resultado é um mel de cor escura, sabor menos adocicado e mais encorpado, com teor de minerais que pode chegar a dez vezes o do mel floral.

A raridade ajuda a explicar o preço. A produção expressiva do melato acontece de dois em dois anos, sempre nos anos pares — e 2026 é justamente uma safra forte. Por não cristalizar e reunir propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, o produto é disputado no mercado externo, com tradição de exportação para a Alemanha desde a década de 1980.

No Rio Grande do Sul, a produção se concentra nos Campos de Cima da Serra, na Serra e no Vale do Paranhana. O mel de melato de bracatinga é o único do país com Denominação de Origem, o "Planalto Sul Brasileiro", que reúne 134 municípios entre Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul — sendo 15 deles gaúchos. Em Cambará do Sul, o Apiário Cambará tornou-se o primeiro do estado a conquistar o selo de indicação geográfica.

Os apicultores comemoram um ciclo aquecido. Na macrorregião da Serra, a estimativa para a safra 2025/2026 é de cerca de 30 quilos de mel por colmeia, ante 17 quilos de anos anteriores — o melhor índice em cinco anos. Para a apicultora Liane Castilhos, do Apiário Cambará, o produto vive uma virada de reconhecimento. "Antigamente, ele era descartado", resume, lembrando que o mel passou do descarte à exportação e, hoje, conquista também o paladar brasileiro.

Para quem quer experimentar, a dica é procurar méis com selo de origem e desconfiar de versões muito claras ou doces vendidas como melato — a cor escura e o sabor menos açucarado são as marcas do verdadeiro "ouro negro". Neste inverno, ele aparece em feiras, agroindústrias familiares e roteiros de turismo rural da Serra.

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