Sábado, 15 de Agosto de 2026
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El Niño muda comportamento alimentar de peixes

Fenômeno exige ajustes na nutrição e cuidados com qualidade da água para evitar perdas na produção, alerta zootecnista.

Por: Redação Acontece no RS Fonte: Correio do Povo
15/08/2026 às 21h09
El Niño muda comportamento alimentar de peixes
Peixes são pecilotérmicos, ou seja, sua temperatura corporal acompanha a do ambiente Foto : MCassab / Divulgação / CP

Além trazer preocupações para as lavouras, a ocorrência do El Niño afeta a piscicultura. De acordo com monitoramentos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno tem probabilidade superior a 90% de permanecer ativo nos próximos meses, com alta chance de atingir a categoria “muito forte” entre novembro de 2026 e janeiro do ano que vem. O zootecnista Cleber Daniel Almeida, consultor técnico comercial da MCassab Nutrição e Saúde Animal, alerta que o fenômeno impacta a produção de peixes de cultivo.

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“Com o aquecimento da água, há redução da disponibilidade de oxigênio nos viveiros, o que altera o comportamento dos peixes e exige mudanças na alimentação para preservar saúde e produtividade dos animais”, explica Almeida.

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Os peixes são animais pecilotérmicos, ou seja, sua temperatura corporal acompanha a do ambiente. Quando a água aquece além da faixa ideal para cada espécie, o organismo entra em estresse e passa a priorizar funções vitais, reduzindo o consumo de alimentos. Ao mesmo tempo, a água quente retém menos oxigênio dissolvido e o metabolismo se acelera, o que aumenta ainda mais a demanda por esse recurso.

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“Quando o oxigênio dissolvido diminui, o peixe consome menos porque a digestão também consome oxigênio. Mesmo que ele continue ingerindo ração, o aproveitamento dos nutrientes fica comprometido, já que boa parte da energia passa a ser direcionada para manter o organismo funcionando diante do estresse térmico", afirma Almeida. "Isso afeta o ganho de peso, a conversão alimentar e o desempenho do lote.”

Risco de doenças

Segundo o zootecnista, períodos prolongados de calor também favorecem a proliferação de bactérias e outros microrganismos, aumentam o risco de doenças e comprometem a qualidade da água. Em situações mais difíceis, principalmente durante a madrugada, quando os níveis de oxigênio costumam atingir os menores níveis do dia, podem ocorrer episódios de hipóxia (que é o termo técnico da deficiência de oxigênio nos tecidos) e mortalidade de peixes.

Ele recomenda que, durante o El Niño, o produtor faça ajustes nos manejos, como oferecer a ração nos horários mais frescos do dia, dividir de melhor forma a alimentação e escolher dietas que ajudem os animais a aproveitar melhor os nutrientes. “Também é importante acompanhar de perto a qualidade da água, principalmente a temperatura e o nível de oxigênio, além de utilizar recursos como aeradores quando necessário”, orienta o especialista da MCassab.