Terça, 28 de Julho de 2026
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Os 7 mirantes e trilhas do RS onde o nevoeiro do inverno vira espetáculo e um fica a menos de 2h de Porto Alegre

7 mirantes e trilhas do RS onde o nevoeiro do inverno vira espetáculo. Um fica a menos de 2h de Porto Alegre e a entrada é gratuita. Veja a lista completa.

Por: Renata Oliveira
03/06/2026 às 21h30
Os 7 mirantes e trilhas do RS onde o nevoeiro do inverno vira espetáculo e um fica a menos de 2h de Porto Alegre

Enquanto a maioria cobre o nevoeiro com o cobertor, um grupo crescente de gaúchos está fazendo o movimento contrário: acordar antes do sol, encarar a estrada e chegar no alto da Serra antes que a neblina dissolva. O resultado é um dos cenários mais raros e bonitos que o Rio Grande do Sul tem a oferecer.

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Não é turismo de elite. A maior parte dos mirantes listados aqui é gratuita ou cobra menos de R$ 30 por pessoa. E a janela de tempo ideal — de junho a agosto — está aberta agora.

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Por que o inverno é a melhor época

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No verão, o nevoeiro é passageiro e já dissipa pela manhã. No inverno, ele se instala nos vales da Serra Gaúcha e do planalto e pode durar horas, criando aquele mar de nuvens que parece não ter fim. A temperatura baixa também reduz a presença de turistas nos trilhos — o que torna a experiência mais silenciosa e, para quem aprecia, ainda mais especial.

A dica dos guias locais é sempre a mesma: chegar antes das 8h. Após as 10h, a neblina costuma subir e o espetáculo perde força.

1. Morro da Igreja — Urubici (SC/RS, a 3h30 de Porto Alegre)

Tecnicamente fica em Santa Catarina, mas é ponto de referência para quem sai do RS pela Serra. Com 1.822 metros de altitude, é o ponto mais alto do Sul do Brasil e oferece o mar de nuvens mais fotográfico da região. A estrada de acesso é de terra e requer veículo com boa suspensão, mas não exige 4x4. Entrada pelo Parque Nacional de São Joaquim: R$ 19 por pessoa.

2. Mirante do Pinheiro Grosso — São Francisco de Paula

A menos de 2 horas de Porto Alegre, esse mirante fica dentro da área rural do município e é um dos favoritos de quem quer nevoeiro sem precisar atravessar o estado. O visual sobre o Vale do Tainhas com névoa baixa é comparado — pelos próprios moradores — a fotografia de cartão postal europeu. Acesso gratuito, estrada parcialmente pavimentada.

3. Pedra do Segredo — Caçapava do Sul

No Pampa gaúcho, a neblina cria um efeito diferente: ela envolve os afloramentos de rocha arenítica e transforma a paisagem em algo que parece saído de um filme de ficção científica. A Pedra do Segredo é o cartão-postal da região e fica dentro de propriedade particular com entrada acessível — em torno de R$ 20. A trilha até o topo leva cerca de 40 minutos e é considerada fácil.

4. Mirante da Serra do Faxinal — Cambará do Sul

Cambará do Sul é a capital dos cânions gaúchos e, no inverno, vive uma segunda temporada de ouro graças à névoa. O Mirante da Serra do Faxinal oferece visual sobre um dos vales mais profundos da região, e quando o nevoeiro toma conta do fundo do cânion, a sensação é de estar olhando para uma pintura. Fica próximo ao acesso do Parque Nacional da Serra Geral, com entrada pela ICMBio.

5. Alto da Serra — Gramado e Canela

Os mirantes naturais espalhados nos arredores de Gramado e Canela ganham outra dimensão no inverno. O Morro Pelado, acessado por trilha de dificuldade moderada saindo de Canela, entrega vista sobre o Vale do Quilombo com a neblina preenchendo o fundo — uma cena que viraliza nas redes toda temporada de frio. Gratuito.

6. Mirante do Viaduto — Bento Gonçalves

Menos conhecido do que merecia, esse mirante fica na zona rural de Bento Gonçalves e oferece visão panorâmica sobre as vinícolas cobertas de nevoeiro — o que, convenhamos, é uma das combinações mais gaúchas possíveis. Ideal para visitar antes de um roteiro de vinhos pela Serra Gaúcha. Acesso gratuito.

7. Morro do Campestre — São José dos Ausentes

São José dos Ausentes é conhecida como uma das cidades mais frias do Brasil e, no inverno, recebe geada e nevoeiro praticamente todas as semanas. O Morro do Campestre, com acesso por trilha de 1,5 km, coloca o visitante acima da linha da névoa — o que significa caminhar dentro das nuvens e emergir no topo para ver o sol enquanto o vale abaixo ainda dorme encoberto. Entrada gratuita.

O que levar

Casaco impermeável é obrigatório — a umidade do nevoeiro molha como garoa fina. Bota de caminhada com solado antiderrapante evita acidentes nos trechos de pedra úmida. Garrafa térmica com chimarrão ou café é questão de dignidade. E câmera, de preferência — o celular com lente molhada não faz jus ao espetáculo.

Cada vez mais gaúchos estão descobrindo essa janela do inverno

Nos grupos de trekking e fotografia de natureza do RS, o tema "nevoeiro de inverno" já virou categoria própria. Fotos de mirantes cobertos de neblina acumulam milhares de curtidas toda semana durante a temporada fria. Pousadas em Cambará do Sul e São Francisco de Paula relatam aumento de reservas justamente para os fins de semana com previsão de frio intenso — o oposto do que acontecia há cinco anos.

Se você mora no RS e nunca acordou cedo para ver o mar de nuvens lá de cima, esse inverno é o momento. A Serra está esperando — e a entrada, na maioria dos lugares, custa menos do que um café em shopping.