
Água cristalina, areia clara e um visual que mais parece cenário de resort caribenho. Só que essa praia fica no Rio Grande do Sul, é de água doce e ainda pode ser visitada sem pagar nada.
Quem passou por lá pela primeira vez não acreditou. "Eu pensei que fosse montagem quando vi a foto no celular", contou Ana Paula Ferreira, moradora de Passo Fundo que visitou o local com o marido e os dois filhos no começo deste ano. "A gente ficou mais de quatro horas e ainda não queria ir embora."
O destino que ela descreve é a Praia de Arroio do Sal, no litoral norte gaúcho — mas a joia que mais tem surpreendido quem busca por praias de água doce no estado está às margens do Lago Guaíba, do Rio Pelotas e, em especial, nas lagoas e represas do interior, como a Lagoa Garibaldi, no município de Garibaldi, na Serra Gaúcha, e a Represa do Passo Real, entre Ibirubá e Jacuizinho, no norte do RS.
Água transparente a menos de 3 horas de Porto Alegre
A Represa do Passo Real é um dos segredos mais bem guardados do Rio Grande do Sul. Com mais de 220 km² de espelho d'água, ela é uma das maiores represas do estado e oferece praias com areia clara, águas calmas e temperatura agradável durante o verão.
O visual realmente impressiona: em dias de sol, a cor da água varia entre o verde-esmeralda e o azul-turquesa, dependendo da profundidade e da incidência de luz. Não à toa, quem a visita pela primeira vez costuma arrancar o celular do bolso na mesma hora.
Para chegar lá saindo de Porto Alegre, o trajeto mais direto é pela BR-386, com cerca de 2h30 de viagem. A infraestrutura ainda é simples — não há grandes resorts na beira —, mas há pousadas na região, área para camping e pesca esportiva liberada com licença.
O que torna essa água tão bonita
A transparência e o tom azulado de muitas lagoas e represas gaúchas têm uma explicação técnica simples: a ausência de salinidade e o baixo índice de material em suspensão na água fazem com que a luz solar penetre mais fundo e se reflita de forma diferente do que no mar.
Em represas como a do Passo Real, o controle do nível da água pela Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) também contribui para manter o ambiente menos turbulento. Resultado: uma água que, em dias de céu limpo, parece mesmo retirada de um postal.
Lagoa Garibaldi: o Caribe da Serra
Outro destino que tem viralizado nas redes sociais gaúchas é a Lagoa Garibaldi, situada dentro da área do Parque Estadual do Tainhas, próxima ao município de Garibaldi. Cercada por mata nativa e com acesso por estrada de chão, a lagoa é menor, mais intimista e costuma ser visitada por moradores da Serra que querem um mergulho refrescante longe do litoral.
A água é fria — característica das altitudes da Serra Gaúcha —, mas transparente. Nos meses mais quentes, de dezembro a março, a temperatura chega a ficar tolerável para banho.
Por se tratar de área de proteção ambiental, o acesso exige atenção às regras do parque. Mas justamente essa restrição é o que mantém o local preservado e com aquele visual que parece fora do RS.
Uma tendência que cresce no estado
O turismo em praias fluviais e lacustres no Rio Grande do Sul está em franca expansão. Segundo dados do Observatório do Turismo do RS divulgados em 2024, destinos do interior com acesso a água — rios, lagoas, represas e cachoeiras — registraram aumento de mais de 30% no fluxo de visitantes em relação ao período pré-pandemia.
A explicação é simples: com o custo de uma viagem ao litoral gaúcho ou a Santa Catarina cada vez maior — entre combustível, pedágio e hospedagem, uma família pode gastar mais de R$ 2.000 num fim de semana —, muita gente está descobrindo que o "Caribe gaúcho" fica bem mais perto do que imagina.
Se você mora no RS e ainda não conhece as praias de água doce do interior, vale planejar uma visita antes que o calor do verão chegue. A paisagem é de encher os olhos — e o bolso agradece.