Terça, 28 de Julho de 2026
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Casamento na obra em Porto Alegre: casal diz “sim” no terreno de construção da própria moradia: veja o evento nada tradicional

Para eles, casar na obra foi uma forma de dizer que a vida a dois não é só o bonito que aparece nas fotos.

Por: Redação Acontece no RS Fonte: G1 RS
05/05/2026 às 10h43
Casamento na obra em Porto Alegre: casal diz “sim” no terreno de construção da própria moradia: veja o evento nada tradicional
Foto: arquivo pessoal reprodução

Entre concreto, terra e flores, um casal escolheu um cenário pouco convencional para dizer "sim": a fundação da própria casa, ainda em construção. Em meio às vigas, terra, brita, cimento e ferro, Cássia e Daniel decidiram celebrar o amor em um condomínio na Zona Sul de Porto Alegre.

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Ambos psicólogos, estão juntos há sete anos. Eles têm um filho de 2 anos e dividem a rotina intensa entre consultórios e pacientes. Justamente por isso, decidiram fazer uma pausa para marcar um momento simbólico.

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"Tem toda a simbologia daquele lugar especial que foi construído, as ideias todas daquele espaço, de ser ali. E, para além disso, de chegar ali e ter aquele terreno. Enfim, tudo isso é uma construção da nossa história", relata Daniel Mariano.

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A proposta nasceu quase como uma brincadeira. Se fossem casar, teria de ser no dia 17 de Abril, data carregada pela memória do primeiro beijo. E se fosse nesse dia, por que não no terreno da casa que estava começando a ser construída?

"Eu falei: 'tá, mas se a gente casasse no terreno da nossa casa, no dia 17 de abril? E ele falou: "mas que boa ideia'", conta a noiva Cássia Bernardy.

O casamento não foi pensado como evento tradicional: a noiva chegou dirigindo o próprio carro, uma semana depois de tirar a carteira de motorista. E ainda usava salto alto:

"Lembro que eu estava escutando a celebrante falando, escutando o discurso do Daniel, e eu tava com um salto em cima da viga e o outro dentro do banheiro", conta.

Enquanto convidados chegavam em trajes de festa para a cerimônia, trabalhadores da obra iam embora. O filho levou as alianças e o casamento ainda teve música ao vivo.

Além disso, a porta por onde entraram — em um local sem paredes — não existia antes: foi construída pelo noivo, com madeira da própria obra. Os bancos onde os convidados sentaram também.

"Eu fiz a tal da porta, e os caras não entendendo nada. 'Por que esse maluco está botando uma porta de madeira no meio do nada?' Não tem nem parede", relembra Daniel.

Depois da cerimônia, a festa aconteceu no salão do condomínio com rodízio de pizza, já que eles são apaixonados pela comida. Havia também ilha de drinks e karaokê, uma vez que cantar juntos é uma atividade que adoram fazer.

História de 07 anos

A história do casamento começa ainda no trabalho, quando ambos atuavam na assistência social, e se conheceram.

Eles brincam dizendo que vivem "de movimento". Foi assim no pedido de casamento, feito durante uma live, assistida por mais de cem pessoas, sem que a noiva soubesse. Foi assim também no batizado do filho, realizado numa cachoeira, de madrugada.

A narrativa ainda passa por um apartamento reformado com as próprias mãos, paredes quebradas, tinta espalhada e a chegada de um filho que mudou tudo, segundo eles, inclusive a forma de pensar a casa e o futuro.

O apartamento deixou de fazer sentido para a criança que precisava correr, explorar e brincar com espaço. A busca por outro estilo de vida levou o casal ao condomínio de casas no bairro Hípica, ainda em construção, com poucos moradores e espaço livre. Então, decidiram comprar o terreno.

"A gente vai [para o condomínio], ele anda de bicicleta, brinca nas pracinhas, sobe em árvore", comenta Daniel", "Esse condomínio vem pra isso, pra gente continuar vivendo o que a nossa família acredita, o que eu e a Cássia construímos. A casa é mais esse símbolo".

Entre concreto e flores 

Para eles, casar na obra foi uma forma de dizer que a vida a dois não é só o bonito que aparece nas fotos.

"A gente não faz uma fundação de casa com uma flor. A gente faz com brita, com terra, cimento, ferro. Isso também é simbólico: dentro de uma obra e misturar isso tudo porque isso é a nossa vida", reflete Cássia.

"Olhar também para o duro, para o difícil, para o árduo, olhar as coisas meio que inacabadas, antes de poder viver o conforto daquela casa", complementa Daniel.

Após o casamento, a vida segue igual, com trabalho, filho e responsabilidades.

"A vida é uma loucura e, às vezes, a gente esquece de olhar para o companheiro, para a companheira que está do lado com esse afeto, com esse carinho", conclui Daniel.