
O Comando de Aviação da Brigada Militar (CAv-BM), anteriormente chamado de Batalhão de Aviação da BM (BAvBM), e cuja uma de suas bases está no Aeroporto de Capão da Canoa, que é público, mas é mantido pela BM às margens da ERS 407, tem à sua disposição equipamentos, que, segundo os policiais, podem cortar os ares entre Quintão e Torres em, no máximo, 20 minutos.
Já uma decolagem típica, entre o aviso sonoro e o helicóptero Esquilo H350 B subir aos céus com, em média, cinco tripulantes especializados, leva não mais do que dois minutos. Um tempo em que, dependendo da situação, em caso de afogamento, por exemplo, é precioso para salvar vidas.
“E em três minutos, estamos em cima da vítima no mar de Capão da Canoa”, disse o major Ivan Costa Júnior, comandante de aeronave do Comando de Aviação. A base possui duas unidades: o Centro de Formação Aeropolicial, a escola de aviação da BM, responsável pela formação de pilotos e tripulantes operacionais; além do 2º Esquadrão Independente de Aviação, que atua durante o ano todo, com reforço durante o veraneio.
A aeronave Esquilo, comumente vista nos céus e que chama a atenção pela agilidade, é multimissão, de acordo com o militar, podendo ser configurada para atuar em até 30 tipos de operações aéreas diferentes, desde policiamento ostensivo, preventivo e escolta de presos, até salvamentos aquáticos e transportes de órgãos vitais, em parcerias estratégicas com o Corpo de Bombeiros Militar do RS (CBMRS) e a Secretaria Estadual de Saúde (SES).
Para isto, pode ser equipada com o puçá, ou cesto de salvamento, ou adaptada para o uso da chamada técnica de McGuire, onde tripulante e vítima são içados por um cabo. Possui ainda um gancho (cargo hook) com capacidade de carga superior a mil quilos. No caso dos órgãos, a BM afirma realizar cerca de cem voos anuais para captações.
No passado, talvez a missão mais nobre deste ágil helicóptero tenha sido seu emprego durante as históricas enchentes de 2023 e 2024, quando a Esquilo foi a primeira aeronave a chegar ao desastre no Vale do Taquari, salvando, somente neste primeiro dia, 49 pessoas, segundo Costa Júnior. Durante a operação, centenas foram resgatados.
Junto a ela, o Comando em Capão da Canoa possui à sua disposição um helicóptero Schweizer H269, além da aeronave Embraer 810, ambos para formação de pilotos, bem como equipamentos em solo. Sendo um trabalho de alto risco, o Comando afirma ter em sua atuação um tripé técnico de conhecimentos, habilidades e atitudes, algo exigido no caderno de instrução da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
“Os conhecimentos nós repassamos aqui. Quanto às habilidades, o profissional precisa demonstrar durante seu curso de pilotagem. Já as atitudes são realmente a questão mental. Ele precisa, além de ter o conhecimento e saber pilotar, conseguir comandar a máquina, ter a atitude, ou seja, manter a calma que é necessária para pilotar, saber executar o movimento e tomar a decisão correta em determinado momento. Muitas vezes, precisamos tomar decisões rápidas e sob pressão", comentou o major.
Além de ter a destreza, perspicácia e sentidos aguçados, comuns a todo policial, o amor pela aviação é requisito básico para atuação no Comando. “Brincamos aqui que, um dia, todos fomos meninos que foi visitar um aeroporto, um aeroclube, então fazemos questão de recebermos todos aqui, quando não estamos em operação, evidentemente. Temos o maior prazer em explicar nossos procedimentos institucionais. É a BM demonstrando seu serviço em proteger a população cada vez mais e melhor”, encerrou Costa Júnior.