
Um relatório final elaborado por uma comissão da Câmara dos Deputados revela que o Rio Grande do Sul atravessa um dos períodos mais críticos em relação à violência contra mulheres. Em menos de dez meses, duas séries de feminicídios vítimaram 11 mulheres cada, além de deixarem 30 crianças e adolescentes órfãos. Somente em 2025, foram 80 mulheres mortas no estado.
No recorte histórico apresentado, ocorreram 1.284 feminicídios no RS entre 2012 e 2025, segundo dados oficiais, com média anual de 91,7 casos. Com uma média de um feminicídio a cada 4 dias e uma tentativa de feminicídio a cada 31 horas, com base nos números oficiais.
O documento afirma que as mortes eram evitáveis e resultam de “falhas graves e persistentes” na rede de proteção pública.
⚠️ Se você ou alguém próximo está enfrentando violência doméstica e familiar no Rio Grande do Sul, existem diversos serviços que podem ajudar. Se a violência está acontecendo neste momento, ligue imediatamente para o 190. A Brigada Militar será acionada e enviada ao local para prestar socorro.
Páscoa de 2025: 11 feminicídios em 11 dias
A primeira onda aconteceu na Semana da Páscoa de 2025, quando 11 mulheres foram assassinadas em 11 dias em cidades de diferentes regiões do estado.
As vítimas tinham idades, profissões e histórias diversas, mas compartilhavam um ponto comum: nenhuma estava com medida protetiva ativa no momento do crime. A maioria foi morta dentro de casa, por ex-companheiros ou parceiros atuais, e oito delas morreram esfaqueadas. Ao todo, 15 filhos ficaram órfãos.
O início de 2026 trouxe um cenário quase idêntico: em apenas um mês, o estado registrou 11 novos feminicídios, muitas vezes com características semelhantes às ocorridas no ano anterior.
Em parte dos casos, as vítimas até tinham solicitado medidas protetivas, sendo algumas já deferidas. Outras enfrentavam histórico de agressões conhecido pelo sistema de justiça.
Somente nessa segunda sequência, mais 15 crianças e adolescentes perderam suas mães.
O levantamento reúne dados dos últimos anos e revela um cenário persistente de violência de gênero no RS:
O relatório afirma que os casos não são exceções isoladas, mas sim resultado de uma estrutura que falha de forma repetida. A Comissão Externa lista problemas como:
Segundo o documento, a rede de proteção é “fragmentada, insuficiente e incapaz de responder ao risco real que as mulheres enfrentam”.
A comissão destaca que muitas tentativas deixam sequelas físicas e emocionais permanentes e deveriam receber atenção e políticas específicas, algo que não existe hoje.
A conclusão da relatoria é categórica: os feminicídios registrados no Rio Grande do Sul nos últimos anos não foram inevitáveis. O documento afirma que muitas das mulheres mortas buscaram ajuda, registraram ocorrências, denunciaram ameaças ou conviviam com agressores já monitorados pelo sistema de justiça.
A repetição dos casos em tão pouco tempo, segundo o relatório, expõe a fragilidade das instituições responsáveis por garantir a segurança das mulheres e reforça a necessidade de ações imediatas, integradas e bem financiadas.
Para a comissão, somente uma política contínua e articulada, que envolva prevenção, proteção, responsabilização e atendimento, pode impedir que o estado registre novas sequências de feminicídios em tão curto intervalo.
A Comissão Externa aponta baixa execução orçamentária para políticas para mulheres no RS. Segundo o relatório, em 2022 estavam previstos R$ 8,3 milhões, mas foram executados R$ 2,8 milhões. Em 2023, de R$ 2,9 milhões, e “nada consta de execução direta”. Em 2024, de R$ 3 milhões, foram executados R$ 197.775.