
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou em entrevista exclusiva ao JR Entrevista nesta sexta-feira que a corporação deve coletar o depoimento do ex-major do Exército Ailton Gonçalves Moraes Barros na investigação sobre a morte da vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018.
Na quarta-feira, a PF prendeu Barros durante uma operação contra um grupo suspeito de ter fraudado certificados de vacinação contra a Covid-19. Ao longo da investigação, a corporação obteve conversas entre ele e o tenente-coronel do Exército Mauro Barbosa Cid em aplicativos de mensagem, e em uma delas Barros afirmou saber quem mandou matar Marielle.
“Eu sei dessa história da Marielle toda, irmão. Sei quem mandou. Sei a p… toda. Entendeu?”, cita a transcrição da mensagem de áudio de Ailton, incluída no relatório da Polícia Federal. No diálogo, no entanto, ele não revela o nome do suposto mandante do crime.
De acordo com Rodrigues, essa informação pode facilitar a investigação em curso sobre o assassinato de Marielle e a tendência é de que Barros seja ouvido pela PF.
“Nós estamos revisitando informações, e todo dado novo facilita e acrescenta à investigação em curso. Agora, a etapa é de identificação, de ouvir essa pessoa, de analisar o documento apreendido, celular e mídias, para poder pedir o compartilhamento de provas e instruir o nosso inquérito em relação ao assassinato”, disse o diretor-geral da corporação.
Segundo Rodrigues, a Polícia Federal conta com “uma equipe dedicada” a buscar uma solução para o caso Marielle. “O ministro Flávio Dino já tinha determinado à Polícia Federal a abertura de uma investigação para apurar as circunstâncias do crime, especialmente quem são os mandantes.”
Crime
Marielle Franco e o motorista dela, Anderson Gomes, foram executados a tiros ao saírem de um evento na Casa das Pretas, localizada na Lapa, região central do Rio, no dia 14 de março de 2018.
Imagens de câmeras de segurança registraram o início da perseguição de um veículo prata ao carro com Marielle e Anderson. No entanto, os disparos foram feitos em uma rua onde não havia sistema de monitoramento.
Também no carro uma assessora de Marielle saiu ilesa, sem ser ferida por nenhum disparo. A vereadora levou quatro tiros na cabeça e o motorista, três. Os executores usaram uma submetralhadora HK MP5 de fabricação alemã.
Há dois acusados de cometer o crime: Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz. Ambos seguem presos de forma preventiva e serão levados a júri popular, conforme já confirmou o Supremo Tribunal Federal (STF).
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