
O corpo do jornalista, advogado e político Ibsen Pinheiro, 84 anos, foi velado neste sábado entre 9h e 16h no Salão Júlio de Castilhos da Assembleia Legislativa, em Porto Alegre. Depois ocorreu cerimônia de cremação restrita à família. Familiares, amigos, políticos, jornalistas, personalidades do futebol e autoridades, entre outros, estiveram presentes para as últimas despedidas. Cercado por coroas de flores, o caixão ostentava as bandeiras do Rio Grande do Sul e do Inter, juntas de uma rosa. Nascido em 5 de julho de 1935, ele faleceu na noite de sexta-feira passada de uma parada cardiorrespiratória enquanto passava por tratamento de saúde no Hospital Dom Vicente Scherer da Santa Casa. Filho de Ibsen, o jornalista Márcio Pinheiro, que estava de aniversário no sábado, relembrou os últimos anos do pai.
“O depoimento que eu posso dar é de duas coisas inéditas, como filho e pai da neta dele que deu um sopro de vida. O pai vinha muito doente nos últimos dois, três anos, foram muitas internações, idas e vindas. Acho que minha filha, de sete anos, ajudou a prorrogar um pouco a vida dele. Foi uma vida muito legal que infelizmente acabou agora”, destacou.
O governador Eduardo Leite, que decretou luto oficial de três dias, compareceu no final da manhã. “Sem dúvida nenhuma, ele foi uma referência em serenidade com que lidou com a política. A forma com que ele tratou a política foi muito melhor do que como a política o tratou, já visto ter enfrentado as denúncias que se comprovaram depois injustas, mas nem assim ele perdeu o respeito pelas pessoas e pela própria imprensa mesmo sendo injustiçado. Ele foi um homem público de alta qualidade que deu grande colaboração ao Rio Grande do Sul e ao Brasil. Ele certamente deixou um legado no exemplo, na colaboração com tantas outras vidas políticas, homens e mulheres que atuam na vida pública, e fica a memória”, declarou. “Ele foi um homem público de respeito, de diálogo, construtor de boas relações...É interessante que ressaltemos e exaltemos uma vida pública como de Ibsen Pinheiro em um momento de polarização. Ela não fazia o enfrentamento para destruir o adversário, mas com capacidade de debate e argumentação. Ele deixa um bom exemplo”, acrescentou Eduardo Leite.
O ex-governador e ex-senador Pedro Simon esteve por volta do meio-dia. “Foi lamentável, perdi um grande companheiro, o Rio Grande do Sul perdeu um grande líder e o Brasil um grande ciadão. Foi uma grande perda. Ibsen Pinheiro foi uma dessas figuras monumentais da política brasileira. Ele foi um grande líder cumpriu todas as missões e teve visão, tinha frases célebres e posições firmes. Ele foi um grande conselheiro. Foi um baita companheiro. Eu tinha muito carinho, respeito, confiança na palavra e análise dele nas horas mais difíceis...Foi uma pena, uma tristeza..mas ele descansou, merecia descansar!”, desabafou emocionado após ficar longos minutos ao lado do caixão.
Já o ex-governador Germano Rigotto apareceu mais cedo e lembrou com carinho da parceria política que manteve com Ibsen Pinheiro. “Eu tive a oportunidade de ter o Ibsen como secretário de comunicação no início do meu governo. Ele era um homem preparado e respeitado inclusive por aqueles que pensavam diferente dele, por aqueles que não estavam do seu lado mas respeitavam sua capacidade de articulação e de diálogo, algo que sabia fazer de melhor que era liderar”, recordou. “Foi um homem que deixou marcas incríveis na vida pública nacional, estadual e municipal...Ele também deixou marcas importantes como homem ligado ao esporte, sempre agregando e mostrando caminhos, respeitando quem pensava diferente.. Ele vai fazer muita falta”, afirmou. “Ele era respeitado por todos e tinha uma capacidade dialogar e articular, envolvendo todos os partidos”, salientou.
O ex-deputado federal Jorge Uequed, que participou da Assembleia Nacional Constituinte nos anos 1980 ao lado de Ibsen Pinheiro, enalteceu o amigo. “Além de ser uma das maiores inteligências no Congresso Nacional, a lembrança que fica foi a respeitabilidade, compromisso com a democracia e respeito pelo interesse público. Poucos homens públicos tiveram a mesma dedicação dele...Ele tinha uma seriedade e um cuidado com o interesse público respeitável...Com ele foi um tempo de aprendizado...Perdi um grande amigo!”, enfatizou. “Quando ele estava doente, toda a semana a gente conversava e eu estava esperando uma visita dele….”, lembrou. Por sua vez, o ex-ministro Odacir Klein frisou que o companheiro tinha objetivos e metas mas sem “soberba e vaidade” nos debates. “Ele merece todas as homenagens que está recebendo”, concordou.
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