
Circula nas redes sociais vídeos de jovens se agredindo fisicamente dentro de uma sala de aula e do lado de fora da escola, em Barros Cassal.
Na sala de aula enquanto duas alunas se agrediam mutuamente, colegas gritavam sem parar. Não tenho conhecimento se era um intervalo de aula ou qual momento ocorreu a briga. Eram tapas, socos, puxões de cabelo, coice. No vídeo não aparece alguém chegando para separar ou haver alguma forma de impedir que a luta continuasse. Uma sirene interna da escola tocava naquele momento.
No vídeo do lado de fora da escola, estava uma das meninas que também estava na luta dentro da sala de aula. E nesta, a luta era muito violenta, na verdade a menina que estava também na briga da sala de aula, nem conseguiu reagir, ao que aparece no vídeo, uma jovem de camiseta rosa, chega nela e começa a bater com muita violência, na sequência pega ela e arremessa contra os paralelepípedos do calçamento, a impressão que dá é que a jovem teria se quebrado no chão, no entanto, caiu e no mesmo impacto saiu correndo da luta. O impressionante é que ninguém separa.
Há boatos de que a briga seria por um ‘namoradinho’. Quem sabe não seja este o motivo, aliás, não existe motivo para tamanha agressão, e para tamanha passividade dos colegas que assistiam.
Em um determinado momento, surge uma professora, que parece ter vindo do lado oposto da escola, e começa a gritar, pedindo para que a agressora parasse, e com isso, a agressora ficou resmungando para professora, aliás, após bater na colega, saiu muito furiosa, como se tivesse feito algo que lhe empoderava, exatamente daquela forma que um atleta de luta livre sai de um ringue quando vence uma luta.
Ambas as brigas, me deixou em uma angustia ao olhar, mas a forma como uma das garotas foi arremessada nos paralelepípedos foi muito chocante, tu jurava que a menina iria ‘espatifar’ a cabeça, mas por um lapso de segundos, que para mim foi as mãos de Deus, a menina conseguiu jogar o braço primeiro. E ai, a gente pensa, quantas coisas tão tristes aconteceram em escolas no mundo todo, que começam com estes tipos de ações, “e se naquele momento ali tivesse acontecido uma tragédia, como estariam estas meninas hoje, e seus pais, a escola e a comunidade?”. Onde todos se conhecem, a comunidade toda estaria se perguntando: “o que levou a isso?”. “A culpa é de quem?”. E assim por diante.
Acredito que nestes tipos de brigas podem se envolver o meu, teu, ou o filho (a) de qualquer um, e sei que nem um pai/mãe quer isso, todos querem que seus filhos estejam estudando, se relacionando bem.
Outro dia, em um ponto de encontro de amigos na cidade, uma pessoa que deveria ser exemplo na área de segurança, embriagado, se implica com dois jovens, coloca arma em suas cabeças e tudo bem. Não se ouviu muito sobre o assunto, mas fica a pergunta: “e se tivesse só com a intenção de se mostrar superior, movido pelo álcool e apertasse o gatilho, sem querer, e tivesse acontecido uma tragédia, algo justificaria?”. “Traria vida de volta?”. Perguntamo-nos também, daqui a pouco os jovens teriam feito algo errado, “o correto não seria chamar o plantão da Brigada Militar?“. O fato contado a mim é que os meninos estavam de boa, tranquilos, na deles, aliás, são conhecidos na comunidade por boa conduta.
Ah, e há alguns anos já foi pego aluno com drogas em uma escola de Barros Cassal, e um outro aluno foi com uma machadinha na escola, com a intenção de desferir contra um ‘desafeto’.
Enfim, são muitas histórias que ensaiam tragédias, acho que está na hora de dialogarmos sobre isso.
Fala-se muito em agressão verbal ser pior que uma agressão física. Mesmo que todos acabamos agredindo alguém verbalmente e todos somos agredidos verbalmente, uma vez ou outra, ou com mais frequência, e sabemos que é horrível e causa muita luta interna para superar isso, ainda acho que enquanto preservarmos a vida, o corpo, e não ficarmos com sequelas, nem em uma cadeira de rodas, o emocional e mental podemos trabalhar e superar as maledicências humanas. Bom mesmo seria se não houvesse agressão verbal, emocional nem física.
Mas enfim, não acho legal que estejamos com tanta vontade de destruir o semelhante e não consigamos lidar em pleno 2022 com as escolhas e as diferenças de cada um.
Ainda penso que uma conversa firme, documentar a situação desconfortável, ignorar, ponderar suas razões, buscar uma opinião jurídica ou em algum setor de segurança, como na Delegacia de Polícia, são opções que podem nos fazer evitar que as coisas fiquem mal entendidas ou levem a atos que nem sempre se consegue voltar atrás.
Fonte: Jornalista Dane Reis - Jornal Serrano
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