
O patricídio - matar o próprio pai - é um dos crimes mais antigos da humanidade. Freud dizia estar ligado à obsessão do menino pela figura da mãe. Já o grande escritor russo Fiódor Dostoiévski argumentava que a juventude estava no cerne do problema devido à autoridade que a figura sempre representou perante a família. “Quem nunca teve vontade de matar o próprio pai?”, chegou a escrever. Por não se tratar de um crime comum, sempre que um caso aparece, gera repercussão e revolta. Mesmo que não seja exatamente um patricídio, um caso peculiar de violência veio à tona nesta semana, quando a Polícia Civil divulgou a prisão de um homem de 34 anos, responsável pela morte do próprio pai. A investigação foi conduzida pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Canoas. Otacílio Mendonça Severo, 70 anos, acabou morrendo após um discussão com o filho. O crime aconteceu no dia 13 de outubro. Segundo a polícia, pai e filho estavam em um carro, retornando de uma celebração.
Houve uma discussão. “De repente o pai saiu do carro e o filho foi atrás”, conta o delegado. Robertho Peternelli, que responde pela Homicídios de Canoas. “Ele acertou um soco no pai. A vítima caiu e bateu com a cabeça no meio-fio da calçada.” Severo foi levado até o Hospital de Pronto Socorro de Canoas (HPSC). Teve o óbito registrado no último dia 25 em virtude do ferimento. “Aconteceu o uso da força excessiva do filho contra o próprio pai. Talvez se não estivesse embriagada, a vítima não tivesse batido a cabeça como aconteceu. Porém, era um idoso e de modo algum merecia um tratamento com tamanha violência”, avalia Peternelli. Inicialmente um crime de “lesão corporal”, o caso se transformou em homicídio após a morte. O autor da agressão é um ex-detento que já respondia por uma tentativa de homicídio cometida contra o próprio irmão. Foi preso vagando por uma praça do Mathias Velho. Roberto
Peternelli chamou de “lamentável” a morte do idoso. “Não se tratava de um ajuste de contas”, frisa. “É triste que relações tão próximas precisem ser resolvidas com violência”, continua. “Hoje há meios para que o diálogo resolva qualquer problema. Não há justificativa para o que aconteceu no Mathias Velho.
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