Quinta, 19 de Maio de 2022
Especiais Santa Cruz do Sul

Conheça a história do santa-cruzense que tem uma cobra de estimação

Douglas Ebert é apaixonado por animais e há dois anos cria uma Jiboia Arco-íris da Amazônia

23/01/2022 às 21h35
Por: Redação Acontece no RS Fonte: Portal Arauto
Compartilhe:
Foto: Ricardo Gais/Portal Arauto
Foto: Ricardo Gais/Portal Arauto

Você já pensou em ter uma cobra como animal de estimação? Certamente é bem diferente do que ter ao seu lado um cachorro ou gato, não é mesmo? A maioria das pessoas só de pensar fica arrepiada ou com medo. No Brasil, é permito criar algumas espécies deste animal, mas com uma série de regras a serem seguidas. A situação de ter uma cobra em casa não parece estar próximo da nossa realidade, mas em Santa Cruz do Sul há este tipo de criação.

> Receba todas as notícias do Portal Acontece no RS no seu WhatsApp. Clique aqui.

O militar Douglas Rafael Ebert, de 24 anos, é dono de uma Jiboia Arco-íris da Amazônia, cujo nome científico do animal é Epicrates Cenchria Cenchria e faz parte da família dos Boidae – serpentes não peçonhentas. Douglas explica que esta espécie possui dentição áglifa, ou seja, não possuem presas inoculadoras de veneno, elas são constritoras, isto é, esmagam as presas envolvendo-se em torno do corpo até as asfixiarem. Este tipo de cobra não costuma ultrapassar os 2,20 metros de comprimento e pesa em torno de cinco quilos, e tem uma expectativa de vida entre 20 e 30 anos. Já o termo Arco-Íris, Douglas explica que é referente ao fenômeno de iridescência em sua cor, refletindo as cores do arco-íris quando exposta a uma iluminação mais intensa, particularmente quando exposta ao sol.

Douglas conta que a ideia de ter como pet este animal vem desde a infância por gostar de animais, mas foi em uma viagem de férias em Santa Catarina, que ele descobriu que seria possível ter um pet não convencional de modo legal. “Fiquei muito curioso e interessado, após pesquisar e estudar sobre as Jiboais Arco-íris, decidi adquirir uma pela praticidade na manutenção e baixo custo para mantê-la. E diferente do que as pessoas pensam, não apresentam perigo algum quando criada em cativeiro”.

A cobra recebeu de Douglas o nome de Amazona e já está com ele faz dois anos. “No início, a família e os amigos estranhavam bastante, hoje, todos estão acostumados e adoram acompanhar o crescimento e pegar ela”, sublinha.

Mas para poder criar o animal exótico, algumas situações precisavam ser observadas. A cobra em questão foi adquirida no criatório Jiboias Brasil e legalizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Minas Gerais. A parte burocrática é feita com o próprio criatório e o animal também é microchipado. “É algo muito mais simples do que imaginamos. Mas, é fundamental conhecermos a biologia da espécie e seus cuidados pra podermos dar uma melhor qualidade de vida pra ele, pois os répteis exigem cuidados bastante distintos dos animais domésticos”, pontua.

O dia a dia da cobra Amazona

Quando falamos em animais de estimação (gato ou cachorro) logo nos vem a cabeça passear com eles, fazer brincadeiras, dar banho ou até deixa-los dormirem em nossa cama. Mas e com uma cobra, o que fazer?

Douglas Rafael explica que ao contrario dos animais habituais de estimação, as serpentes não tem tanta interação com as pessoas e o convívio se torna diferente. “Embora ela seja capaz de reconhecer seu tutor, através do manejo, ela é apenas retirada do terrário pra manuseio e manutenção do mesmo”, disse.

A cobra Amazona vive em um terrário, similar a um aquário, porém seco. Nele, possui duas tocas, uma na parte fria e outra na parte quente, que é aquecida por uma placa ou pedra aquecida. Conforme o tutor da cobra, as Jiboias têm hábitos noturnos, momento em que são mais ativas, sendo que durante o dia ela fica a maior parte do tempo dentro de sua toca. “De noite ela sai para explorar o seu terrário, onde ela vive”.

Já a alimentação do animal é a base de pequenos roedores e aves. Douglas conta que a cobra se alimenta geralmente, em média, de duas a três vezes por mês, e quando adulta, pode comer uma vez ao mês apenas. “Em cativeiro o mais comum e indicado são roedores, pela facilidade”. Ele explica que os ratos são previamente abatidos e oriundos de um Biotério de Santa Cruz do Sul, que tem por finalidade a venda de alimento para pets não convencionais.

Contato com as pessoas

O militar relata que em um primeiro contato existe um receio por parte das pessoas, devido a tabus em relação às serpentes. “É muito comum às pessoas sentirem medo e espanto no primeiro contato, mas com um pouco de explicação e diálogo as pessoas acabam manuseando e se impressionando com a beleza do animal. Muitas vezes acabam até perdendo traumas que tinha por falta de conhecimento”, destaca.

Mas quem pensa que o animal não faz passeio está enganado! Douglas disse que em uma caixa de transporte ele a leva para passear e muitas pessoas ficam curiosas para ver o animal. “É incrível mostrar ela para as pessoas, de forma geral, todos interagem muito bem. É muito gratificante repassar o conhecimento e dar a oportunidade às pessoas de conhecer uma serpente de perto e quebrar os mitos e tabus relacionados às cobras”.

Douglas alerta aos que desejam criar um animal deste tipo somente deve adquiri-lo com procedência legal. “Vale ressaltar que jamais devemos manusear animais silvestres e devemos preservá-los, pois ainda hoje, muitos são mortos indiscriminadamente por falta de conhecimento e crenças populares”, finaliza.

> Receba todas as notícias do Portal Acontece no RS no seu WhatsApp. Clique aqui.

Santa Cruz do Sul - RS
Sobre o município Notícias de Santa Cruz do Sul - RS