
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul indiciou, na quarta-feira (22), 10 pessoas por furarem a fila da vacinação contra Covid-19 em Porto Alegre. A ação faz parte da Operação Xepa, que é realizada permanentemente pela entidade, por meio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) desde o ano passado para investigar denúncias referentes à pandemia.
Entre os indiciados há médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, integrantes da rede de apoio e orientador religioso. Segundo a investigação, eles se beneficiaram do fato de serem profissionais da saúde ou de rede de apoio, categorias que tiveram prioridade no início da vacinação, para tomar mais doses do que previa o protocolo de vacinação elaborado pelo Ministério da Saúde, Secretaria Estadual de Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde.
Das 30 denúncias verificadas, constatou-se que 10 pessoas haviam recebido doses pelos critérios prioritários e buscado outros imunizantes na rede pública e em estabelecimentos conveniados, como farmácias, retirando doses que deveriam ser aplicadas em outras pessoas.
"Estamos falando do primeiro momento da vacinação, quando faltavam doses, havia filas que demoravam horas, tudo era contado. Estava todo mundo esperando sua vez, e os 'espertos' se valeram do privilégio de terem sido vacinados antes para tomar mais doses", explica o delegado Gabriel Bicca, responsável pela operação.
De acordo com a investigação, os profissionais de saúde e de rede de apoio tomavam as doses correspondentes à fase prioritária para esses grupos e, quando o calendário vacinal chegava em suas idades, omitiam o fato de já terem sido vacinados e recebiam mais doses.
O delegado Bicca explica que eles podem responder por crimes de falsidade ideológica e infração de medida sanitária para enfrentamento à pandemia.
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