Quinta, 29 de Outubro de 2026

Grupo suspeito de usar nome de delegado para aplicar o “golpe dos nudes” é alvo da Polícia Civil

Operação Persona Ficta cumpriu três mandados de prisão preventiva e duas outras ordens judiciais de busca e apreensão.

Por: Redação Acontece no RS Fonte: Correio do Povo
29/10/2026 às 12h06
Grupo suspeito de usar nome de delegado para aplicar o “golpe dos nudes” é alvo da Polícia Civil
Operação Persona Ficta foi deflagrada nesta quinta-feira pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos Foto : Polícia Civil / CP

Três pessoas foram presas preventivamente nesta quinta-feira durante a Operação Persona Ficta, deflagrada pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC). A ação também cumpriu dois mandados de busca e apreensão contra um grupo suspeito de usar falsamente o nome de um delegado da alta cúpula da Polícia Civil para extorquir vítimas.

A investigação começou após uma vítima, residente em São Paulo, denunciar que havia sido contatada pelo WhatsApp por alguém que se apresentava como mulher. Depois da troca de mensagens e imagens íntimas, os suspeitos passaram a ameaçar divulgar o conteúdo para familiares, amigos e colegas de trabalho, exigindo dinheiro para impedir a exposição.

De acordo com o diretor do DERCC, delegado Eibert Moreira, o esquema funcionava em etapas. Inicialmente, os criminosos estabeleciam contato por redes sociais ou aplicativos de relacionamento. Após conquistar a confiança da vítima, um dos envolvidos assumia a identidade da suposta mãe de uma adolescente e dizia que procuraria a polícia.

Em seguida, outro suspeito se apresentava como delegado e cobrava valores para supostamente impedir o andamento de uma investigação. Segundo Moreira, o policial citado nas conversas não tinha envolvimento com os crimes, e sua identidade era utilizada de forma indevida.

A Polícia Civil afirma que a modalidade foi estruturada por detentos do sistema penitenciário do Rio Grande do Sul e passou a atingir vítimas em diferentes estados. A mesma linha telefônica atribuída ao falso delegado também foi identificada em duas ocorrências registradas no interior gaúcho, em novembro de 2025 e março de 2026.

As apurações da Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Cibernéticos incluíram a análise das conversas e de dados telemáticos. O cruzamento das informações permitiu identificar três investigados, sendo que dois já estavam presos quando os crimes ocorreram. Eles são investigados por extorsão, falsa identidade e associação criminosa. A investigação continua para localizar outras possíveis vítimas e esclarecer a participação de todos os envolvidos.