
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) prendeu cinco pessoas nesta sexta-feira, durante a Operação Multiplicação, que investiga um grupo suspeito de praticar agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro na Serra Gaúcha. A ação foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em Bento Gonçalves e Carlos Barbosa, com o cumprimento de mandados em 13 locais. Três prisões foram preventivas e outras duas ocorreram em flagrante por posse irregular de arma de fogo.
A investigação tem como alvo oito pessoas suspeitas de conceder empréstimos com juros elevados e, posteriormente, exigir pagamentos sucessivos mediante ameaças e intimidações. Segundo o MPRS, o grupo utilizava vínculos com o crime organizado e uma facção criminosa para aumentar a pressão sobre os devedores.
Durante a operação, foram apreendidos documentos, celulares, aparelhos eletrônicos, armas e munições. A Justiça também determinou a indisponibilidade de três imóveis e sete veículos vinculados aos investigados. O grupo é investigado pelos crimes de extorsão, organização criminosa, usura e lavagem de dinheiro.
A operação é um desdobramento da Contas Abertas, que apurou a estrutura financeira da mesma facção criminosa. Conforme o Ministério Público, as movimentações financeiras examinadas na nova investigação alcançam aproximadamente R$ 32,3 milhões.
Conforme as apurações, os investigados concediam empréstimos e mantinham as cobranças mesmo depois de os valores inicialmente acordados terem sido pagos. A exigência de novas quantias aumentava o endividamento das vítimas, segundo o MPRS.
Em um dos casos, uma pessoa contraiu um empréstimo de R$ 50 mil, realizou diversos pagamentos e chegou a entregar uma caminhonete como garantia. Ainda assim, as cobranças prosseguiram. Mensagens, áudios, comprovantes bancários e outros documentos reunidos durante a investigação indicariam a continuidade das exigências financeiras.
Outro episódio apurado envolve o incêndio da casa de uma vítima como forma de ameaça durante a cobrança de um empréstimo. De acordo com o Ministério Público, a ação também teria buscado intimidar outros devedores.
A análise do Gaeco identificou transferências entre contas bancárias ligadas aos investigados, empresas e terceiros. Segundo o MPRS, pessoas físicas e jurídicas eram utilizadas para receber e movimentar os valores, dificultando o rastreamento do dinheiro e a identificação de sua origem.
As apurações também apontaram movimentações financeiras incompatíveis com a renda formal de parte dos investigados. Os delitos investigados teriam ocorrido entre janeiro de 2022 e novembro de 2025.
A Operação Multiplicação é coordenada pelo promotor de Justiça Manoel Figueiredo Antunes, do 5º Núcleo Regional do Gaeco - Serra, com participação dos promotores Diego Pessi e João Fábio Munhoz Manzano. A ação contou com apoio do 4º Batalhão de Choque da Brigada Militar.
Segundo o MPRS, a operação busca reunir novas provas, identificar outras possíveis vítimas e aprofundar o rastreamento do patrimônio relacionado ao esquema, além de interromper as atividades econômicas atribuídas ao grupo.