
Ginete de Jaguarão venceu com Oferenda da Tamanca e ainda conquistou o Freio de Prata com Iluminada do Rio Negro; em entrevista ao Acontece no RS, falou sobre família, preparação, persistência e os próximos passos da carreira.
Depois de anos chegando perto do lugar mais alto do pódio, Ricardo Wrege conquistou pela primeira vez o Freio de Ouro, na final realizada durante a Expointer 2026. A vitória veio com Oferenda da Tamanca, que encerrou a competição entre as fêmeas com média de 21,316 pontos.
A participação de Wrege ganhou ainda mais destaque com uma dobradinha: além do Ouro com Oferenda, o ginete conquistou o Freio de Prata com Iluminada do Rio Negro, que alcançou 21,121 pontos.
Natural de Jaguarão, onde mantém seu centro de treinamento, Ricardo é médico-veterinário e treinador de cavalos, com trabalho direcionado especialmente ao Freio de Ouro. Na entrevista ao Acontece no RS, ele explicou que dedica sua rotina integralmente à preparação dos animais e à modalidade.
Para Ricardo, as duas éguas representam muito mais do que os resultados obtidos na pista. Segundo o ginete, Oferenda da Tamanca e Iluminada do Rio Negro carregam parte importante de sua trajetória profissional e pessoal.
As duas iniciaram suas carreiras dentro do centro de treinamento de Wrege e já haviam demonstrado desempenho em outras competições. Iluminada, por exemplo, já havia conquistado o Freio de Prata em 2024. Oferenda acumulou resultados importantes antes de alcançar o Ouro em 2026.
Para o campeão, o resultado não pode ser resumido ao trabalho desenvolvido durante uma única temporada. Ele destacou que existe uma longa cadeia de pessoas envolvidas antes de um animal chegar à final, passando por criadores, proprietários, profissionais responsáveis pela doma e equipes que trabalham diariamente no cuidado e treinamento.
Ricardo ressaltou ainda que detalhes como alimentação, descanso, manejo e estrutura são determinantes para que o cavalo consiga apresentar o máximo desempenho dentro da pista.
Um dos momentos mais emocionantes da final ocorreu durante a comemoração, quando Ricardo dividiu a cena com a filha. Na entrevista, ele explicou que sua família participa diretamente da rotina do centro de treinamento e acompanha de perto todo o esforço necessário para competir em alto nível.
Segundo Wrege, esposa e filhos passaram a viver também o sonho do Freio de Ouro. Para ele, poder mostrar aos filhos valores como dedicação, humildade, honestidade e persistência representa uma conquista ainda maior do que qualquer troféu.
A ligação com os cavalos também vem de gerações. Ricardo contou que nasceu em uma família com cerca de cinco décadas de criação e lembrou a importância dos pais, irmãos e dos profissionais que participaram de sua formação ao longo da carreira.
Ao falar sobre a campeã, Ricardo definiu Oferenda da Tamanca como uma égua que surpreendeu pela constante evolução.
Ela chegou jovem ao centro de treinamento e, embora já demonstrasse qualidade, o ginete afirmou que não imaginava naquele momento até onde o animal poderia chegar. Com o passar dos ciclos, Oferenda continuou evoluindo tecnicamente e mantendo alto rendimento nas competições.
Wrege também destacou a nobreza, a capacidade de entrega dentro da pista e a longevidade esportiva da égua, características que atribui tanto ao treinamento quanto à genética.
Mesmo tendo permanecido nas primeiras posições durante grande parte da competição, Ricardo contou que evitou tratar o título como definido antes do encerramento.
Segundo ele, o Freio de Ouro reúne alguns dos melhores animais e ginetes da raça e não permite erros. Por isso, procurou manter a concentração e os “pés no chão” até a última etapa.
Na preparação dos cavalos, o treinador trabalha com três pilares que considera fundamentais: condicionamento físico, equilíbrio mental e preparação técnica. A combinação desses fatores, segundo ele, permite extrair a melhor performance possível de cada animal.
O próprio controle emocional também fez diferença na final. Ricardo revelou que chegou à Expointer se sentindo preparado mentalmente e procurando aproveitar cada momento da competição, em vez de permitir que a pressão prejudicasse seu desempenho.
A conquista de 2026 também confirmou uma sequência de resultados construída nos últimos anos. Ricardo contou que 2023 marcou seu primeiro pódio e que, desde então, conseguiu terminar entre os premiados em todas as edições.
Para ele, essa constância é uma demonstração de que o trabalho vem seguindo na direção correta. Mesmo depois do Ouro, afirma que pretende manter a mesma postura, buscando evolução sem perder a humildade.
“Eu cada ano que passa, eu não quero ser melhor do que os outros, eu quero ser melhor do que eu mesmo”, afirmou durante a entrevista.
Ao final da conversa, Wrege deixou uma mensagem especialmente aos jovens que acompanham o esporte e sonham em competir um dia.
O ginete ressaltou que dificuldades fazem parte do caminho e que conquistas importantes exigem dedicação, resiliência, foco e humildade. Para ele, sonhar é fundamental, mas precisa vir acompanhado da disposição para trabalhar pelo objetivo.
Ricardo também comentou uma das principais novidades para o próximo ciclo. A partir de 2027, o Freio de Ouro terá R$ 1,4 milhão em premiação financeira, medida que, na avaliação do campeão, deve contribuir para valorizar criadores, investidores e profissionais envolvidos na competição. Ainda assim, ele reforçou que o significado do Freio de Ouro ultrapassa qualquer valor financeiro.