Sábado, 05 de Setembro de 2026

Cavalo ‘gigante’ é atração da 49ª Expointer

Visitantes da feira usaram escada para subir no WB Baron, da raça francesa Percheron.

Por: Redação Acontece no RS Fonte: Correio do Povo
05/09/2026 às 19h00
Cavalo ‘gigante’ é atração da 49ª Expointer
Os cavalos da raça surgiram na França como animais de tração pesada Foto : Mauro Schaefer

Os visitantes da 49ª Expointer precisam de uma escada para alcançar o lombo de WB Baron, da Cabanha Henz, um cavalo da raça Percheron que conquistou, nesta edição da feira, o terceiro título de Grande Campeão da raça.

Pesando cerca de 1 tonelada e com 1,70 metro de altura, o animal encanta não apenas pelo tamanho, mas também pelo temperamento dócil, característica confirmada pela criadora Gabriela Henz. Ela trabalha na criação de Percheron ao lado do pai, Renito José Henz, na cabanha da família, em Travesseiro, desde 2019. “As pessoas veem esses cavalos e acham que eles são bravos pelo tamanho, mas, justamente, eles são muito mansos”, diz. Segundo ela, a raça é de manejo fácil. “Eles não apresentam maldade nenhuma.”

Os cavalos da raça surgiram na França como animais de tração pesada, sendo utilizados desde o transporte de cargas até trabalhos agrícolas. Essas funções são diferentes daquelas observadas no campo gaúcho, onde os cavalos estão presentes, principalmente nas campereadas.

Segundo Gabriela, estudante de Medicina Veterinária na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), são raras as ocasiões em que esses animais são utilizados para suas funções originais. “Quem tem um cavalo da raça Percheron, na verdade, tem por gostar de cavalo e querer preservar a raça. A gente até mantém alguns cavalos treinados para apresentar ao público a verdadeira função desses animais, mas grande parte das pessoas cria para preservar a raça.”

Tecnologia e genética

A preservação e a popularização da raça estão entre os objetivos da cabanha, que participa de feiras inclusive em outros países. Em 2023, a família adquiriu uma fêmea da raça e pretende seguir com projetos de transferência de embriões.

“Como a gente tem uma égua e, tendo receptoras, consegue tirar mais de um produto por ano, porque normalmente a gestação de uma égua demora 11 meses. Então, temos o projeto de transferência de embriões para conseguir ter mais animais em um ano e seguir criando, para não deixar a raça se extinguir.”

Os filhotes de Percheron nascem com cerca de um metro e apresentam desenvolvimento rápido. “Tem um animal em específico que tem cinco meses e está com mais de 1,42 metro de cernelha, que é o que um cavalo Crioulo atinge na idade adulta”, conta a estudante, que também cria a raça Crioula e encontra desafios para a manutenção da raça gigante.

Segundo ela, há poucas éguas PO (Puras de Origem) registradas. A denominação indica que os ancestrais do animal são reconhecidos e, portanto, seguem as características físicas e funcionais da raça.

*Sob supervisão de Karina Reif.