
Fundador da Jetdrone, Félix Potrich explica como pulverização, mapeamento, inteligência artificial e automação estão ampliando o uso dos drones no agronegócio
Os drones agrícolas deixaram de ser apenas uma promessa para o futuro e já fazem parte da rotina de propriedades rurais no Rio Grande do Sul. Em entrevista ao Acontece no RS, Félix Potrich, fundador da Jetdrone, de Carazinho, falou sobre o avanço da tecnologia no campo, os ganhos de produtividade e as diferentes possibilidades de utilização dos equipamentos no agronegócio.
Potrich contou que atua no ramo de tecnologia há cerca de 15 anos e começou a acompanhar mais de perto o mercado de drones aproximadamente uma década atrás. A empresa iniciou com equipamentos menores, voltados a imagens e inspeções, e posteriormente avançou para o segmento agrícola, que, segundo o empresário, registrou forte crescimento especialmente nos últimos três anos. O empreendedor é formado em Administração de Empresas, possui MBA em Agronegócio e também tem ligação familiar com o campo.
Um dos principais pontos abordados foi a capacidade dos equipamentos de atender propriedades de diferentes portes. Conforme Potrich, há modelos que realizam em torno de 9 hectares por hora, enquanto equipamentos de maior capacidade podem chegar a até 40 hectares por hora em condições favoráveis. Ele ressalta que a proposta não é necessariamente substituir tratores e pulverizadores convencionais, mas complementar a estrutura da propriedade, principalmente em situações nas quais o solo molhado impede a entrada de máquinas e pode comprometer a janela ideal de aplicação.
A qualidade da aplicação também depende de fatores que vão além do equipamento. Durante a entrevista, Félix destacou que condições climáticas, configuração adequada e qualificação do operador são fundamentais para alcançar bons resultados. Segundo ele, a Jetdrone trabalha com treinamentos que envolvem pilotagem, legislação, conteúdos teóricos e atividades práticas, inclusive com acompanhamento na propriedade do cliente, além de suporte e assistência técnica.
Outro avanço está na integração dos drones com inteligência artificial, sensores e radares. Potrich explicou que equipamentos atuais conseguem identificar obstáculos, como árvores, postes e fios, e tomar decisões durante o voo para desviar deles. Os sistemas também realizam leituras durante a operação e permitem delimitar previamente a área na qual o drone deverá trabalhar.
A pulverização, porém, é apenas uma das possibilidades. Drones também podem ser utilizados em mapeamento, inspeção e geração de índices de vegetação, permitindo identificar pontos específicos de uma lavoura que necessitam de intervenção. Potrich afirmou que, em determinadas situações, a aplicação localizada pode representar uma redução expressiva no consumo de defensivos, embora tenha ressaltado que o resultado depende da situação e que nem todas as pragas permitem esse tipo de manejo.
A tecnologia também pode ser empregada em diferentes culturas, desde grãos até fruticultura e outras produções. Ao final da entrevista, Félix recomendou que os produtores busquem informações técnicas e empresas especializadas antes de investir ou contratar serviços com drones. A Jetdrone está sediada em Carazinho, mas, segundo o empresário, atende clientes em diferentes regiões do Rio Grande do Sul e também recebe equipamentos de outros estados para assistência. Informações e contatos da empresa estão disponíveis em jetdrone.com.br.