
A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte do agricultor Marcos Nörnberg e indiciou sete policiais militares nesta quarta-feira (9). O caso ocorreu em janeiro deste ano, na zona rural de Pelotas, no Sul do Rio Grande do Sul, e também envolve uma tentativa de homicídio contra a esposa da vítima.
O indiciamento ocorreu após a conclusão do laudo do Instituto-Geral de Perícias (IGP), que incluiu a reprodução simulada dos fatos. Os nomes dos policiais envolvidos não foram divulgados.
Entre os indiciados estão dois soldados e dois sargentos da Brigada Militar, apontados pela investigação como coautores dos crimes. Outros três agentes vinculados ao setor de inteligência foram indiciados como partícipes.
Segundo a Polícia Civil, esses três policiais receberam as informações utilizadas para a realização da operação e teriam cometido um erro superior a dois quilômetros na identificação do endereço que deveria ser alvo da ação. As patentes deles não foram informadas.
Ao longo do inquérito, a atuação de 24 policiais militares foi analisada, incluindo desde o comandante da unidade até os soldados que participaram da ocorrência. A investigação também apurou a versão apresentada pelos agentes para justificar a entrada na residência.
Os policiais relataram que Marcos teria efetuado disparos e que a equipe reagiu em legítima defesa. A perícia, porém, apontou que o primeiro tiro registrado naquela noite partiu de um fuzil, armamento utilizado pelos policiais militares.
De acordo com a investigação, foram identificados 14 disparos de fuzil antes do registro de um tiro de carabina, arma atribuída a Marcos. Esse disparo ocorreu 28 segundos depois do primeiro tiro de fuzil. Imagens de monitoramento obtidas pela RBS TV registraram a ação e captaram o som de pelo menos 18 tiros, além da chegada posterior de uma equipe do Samu.