Sexta, 28 de Agosto de 2026

Inquérito sobre morte de agricultor em Pelotas deve ser concluído na primeira quinzena de setembro

Polícia Civil aguarda últimos laudos do IGP, relacionados à reprodução simulada dos fatos, para finalizar investigação.

Por: Redação Acontece no RS Fonte: Correio do Povo
28/08/2026 às 11h55
Inquérito sobre morte de agricultor em Pelotas deve ser concluído na primeira quinzena de setembro
Marcos Daniel Nörnberg, de 48 anos, foi morto durante ação da Brigada Militar nesta quarta-feira Foto : Redes Sociais / CP

A Polícia Civil deve concluir na primeira quinzena de setembro o inquérito que investiga a morte do agricultor Marcos Daniel Nörnberg, ocorrida em janeiro deste ano, em Pelotas, na Região Sul do Estado. A previsão foi confirmada pelo diretor do Departamento de Homicídios do Interior, delegado Thiago Carrijo, responsável pelo acompanhamento da investigação.

Segundo a Polícia Civil, os últimos laudos produzidos pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) ainda são aguardados para a conclusão do procedimento, mas devem ser entregues até a segunda-feira. Os documentos estão relacionados à reprodução simulada dos fatos, realizada em maio no local onde o agricultor foi morto.

A reconstituição foi feita para confrontar as versões apresentadas pelos envolvidos com os elementos técnicos reunidos durante a investigação. A atividade contou com a participação da viúva do agricultor e de policiais militares que atuaram na ocorrência.

O caso ocorreu na madrugada de 15 de janeiro, quando a residência do agricultor foi alvo de uma ação da Brigada Militar. Durante a ocorrência, Nörnberg foi atingido por disparos de arma de fogo e morreu no local.

A investigação tramita sob sigilo. Após o recebimento dos últimos laudos, a Polícia Civil deverá concluir a análise dos elementos reunidos no inquérito e definir os encaminhamentos do caso, incluindo eventual indiciamento.

Em abril deste ano, a Corregedoria-Geral da Brigada Militar concluiu o Inquérito Policial Militar (IPM) que investigava a morte de Nörnberg. O relatório final apontou que não houve crime por parte dos policiais envolvidos na ação.

De acordo com o documento obtido pelo Correio do Povo, a ocorrência teve início a partir de uma operação para localizar suspeitos de um roubo com sequestro registrado dias antes na zona rural do município.

Durante a abordagem, houve troca de tiros entre policiais e o morador da residência. A perícia indicou que disparos foram realizados tanto do lado de fora quanto de dentro da casa, caracterizando situação de “fogo cruzado”. Ainda conforme o relatório, há elementos técnicos que apontam que o agricultor efetuou disparos com um rifle calibre .22 no interior do imóvel.

A análise pericial também identificou múltiplos disparos provenientes de diferentes posições ao redor da residência, com concentração na área onde a vítima se encontrava.

O IPM considerou que a atuação dos policiais ocorreu no contexto de uma operação legítima e dentro das circunstâncias enfrentadas no momento da ocorrência. “No que tange ao volume de disparos efetuados de forma sucessiva pelos policiais do 4º BPM e do 5º BPChq, a ação, do ponto de vista técnico, é legitimada, além do acima citado, pelo conceito fisiológico da Incapacitação Tardia e pela Doutrina da Resposta Não Convencional”, diz trecho do documento.

Com base nos elementos reunidos, o inquérito concluiu pela inexistência de conduta criminosa por parte dos agentes. “O resultado morte derivou de uma intensa e caótica troca de tiros iniciada pelo morador sob erro de percepção”, consta no IPM.

Outro ponto descartado na investigação interna da BM é a hipótese de tortura que teria sido praticada contra Raquel Nörnberg, esposa do agricultor. “As lesões apresentadas não demonstram materialidade compatível com o crime de tortura. Mais contundente ainda é a resposta oficial do Instituto-Geral de Perícias ao terceiro quesito do laudo: indagada se as lesões foram produzidas por tortura, a perita respondeu expressamente ‘NÃO’", justifica.