Quarta, 02 de Setembro de 2026

Gosta da vida no campo e com pouco incentivo financeiro interno: qual o perfil do jovem rural gaúcho

Dados preliminares de pesquisa inédita, elaborada pela SDR, SPGG, DEE e Emater, foram apresentados na Expointer 2026, nesta quarta-feira.

Por: Redação Acontece no RS Fonte: Correio do Povo
02/09/2026 às 13h57
Gosta da vida no campo e com pouco incentivo financeiro interno: qual o perfil do jovem rural gaúcho
Pesquisa da Emater e SDR sobre jovens rurais no RS, apresentada na Expointer 2026 Foto : Rodrigo Rodrigues / Ascom SPGG / CP

Uma pesquisa inédita, conduzida pela Emater-RS/Ascar e pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE) do governo do Estado, mostrou que 92% deles gostam ou gostam muito do modo de vida na agricultura familiar, mas 52% dos entrevistados recebem alguma compensação somente quando solicitam e há disponibilidade financeira na família. Os dados foram apresentados nesta quarta-feira, durante a Expointer 2026, pela Emater e pelas secretaria estaduais de Desenvolvimento Rural (SDR) e Planejamento, Governança e Gestão (SPGG).

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O Rio Grande do Sul é o segundo estado brasileiro com a menor presença de jovens na população rural, com 17%, e o líder na proporção de idosos entre o público no campo, com 26%. Até o momento, foram concluídos 614 questionários, cerca de 15% da amostra final prevista, de 3.987. O desejo de ficar é também justificado por outros dados, com 64% aceitando assumir a gestão do estabelecimento rural por vontade própria e 56% manifestando a expectativa de longo prazo de continuar morando e trabalhando na propriedade da família.

A intenção de migrar foi citada por somente 13% do público monitorado. 64% dos jovens disseram considerar o aumento de eventos climáticos extremos como importantes ou muito importantes em suas decisões e expectativas de futuro. Outro dado foi a dificuldade na busca por um cônjuge que também aceite viver ou trabalhar no campo, citado por 46% dos jovens.

“A pesquisa foi desenhada para que sirva de insumos tanto para aperfeiçoar as políticas públicas já existentes, mas também pensar políticas novas que enderecem gargalos de permanência do jovem que ainda não têm políticas focadas. Existe a influência de existir abertura para o jovem participar da gestão das tomadas de decisão do estabelecimento agropecuário desde cedo para que ele tenha interesse em permanecer no meio rural a longo prazo”, disse Feix.

A coordenadora estadual do trabalho com juventude rural na Emater-RS/Ascar, Clarice Vaz Emmel Bock, salientou que, diante dos resultados apresentados até o momento, é possível diagnosticar as causas e o panorama para aprimorar as capacitações. Esta quarta foi o dia dedicado à juventude rural nos espaços da Emater-RS/Ascar no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, havendo uma formatura de 71 jovens que fizeram, durante seis meses, o Curso de Empreendedorismo e Desenvolvimento da Juventude Rural, promovido pela regional de Porto Alegre.

“Temos encontrado muitas dificuldades no sentido de que alguns jovens já não estão mais nas propriedades. Casaram, se mudaram de lugar, estão na faculdade ou estão fazendo alguma outra atividade. Claro que tem muitos que saem, mas aqueles que pretendem ficar têm gosto por aquilo que fazem. Sentem orgulho do que são”, comentou Clarice.