Segunda, 31 de Agosto de 2026

Cadeia ovina debate na Expointer 2026 como atender ao mercado

No Conexão Cordeiro em Esteio, que reuniu produção, frigoríficos, varejo e mercado, se discutiu que o segmento ganha novos formatos no varejo, mas indústria aponta falta de matéria-prima foi a discussão.

Por: Redação Acontece no RS Fonte: Correio do Povo
31/08/2026 às 09h48
Cadeia ovina debate na Expointer 2026 como atender ao mercado
Debate na Expointer reuniu lideranças de produção, frigoríficos, varejo e mercado Foto : Nestor Tipa Jr. / AgroEffective / Divulgação / CP

A disponibilidade de cordeiros para atender a indústria aparece como um dos desafios para acompanhar o crescimento do consumo de carne ovina. O tema esteve no centro do Conexão Cordeiro, realizado neste domingo, 30, durante a Expointer, em Esteio, pela Associação Brasileira de Criadores de Corriedale (ABCC), reunindo representantes da produção, frigoríficos, varejo e mercado.

O presidente da ABCC, Gustavo Velloso, explicou que a proposta foi aproveitar a presença dos diferentes segmentos na feira para colocar os desafios de cada etapa da cadeia na mesma discussão.

"Temos produtores, frigoríficos e consumidores. A ideia foi juntar todos eles para que cada um possa falar dos seus desafios e, a partir disso, buscar alternativas para aumentar a produtividade de cordeiros e o consumo", afirmou Velloso.

A raça Corriedale também esteve inserida no debate pela participação que mantém na produção ovina do Rio Grande do Sul . Segundo Velloso, uma raça que representa atualmente mais de 60% do rebanho gaúcho, o que coloca seus criadores diretamente nas discussões sobre produção e mercado da carne.

Na indústria, o aumento da disponibilidade de animais foi apontado como uma das necessidades para atender a demanda. O diretor-presidente do Frigorífico Carneiro Sul, João Bernardo da Silva, vê espaço para crescimento, mas identifica na matéria-prima o principal gargalo.

"O consumo da carne ovina vem crescendo e temos um mercado enorme construído. Hoje, o nosso grande desafio como indústria é ter matéria-prima", explicou Silva.

Silva considera a relação com os produtores necessários para que os frigoríficos consigam planejar os próximos passos e ampliar o abastecimento. "Nós precisamos do produtor rural. Ele é um elo extremamente importante para o desenvolvimento da ovinocultura e do consumo da carne ovina", acrescentou.

As mudanças já podem ser percebidas também na forma como o produto chega ao consumidor. A consultora de mercado Ana Doralina Menezes recomendou que, além da carne congelada, hoje há opções resfriadas, manipuladas, fracionadas e oferecidas em bandejas. “A carne ovina também está sendo desafiada a entender qual é o seu mercado, quem é o seu cliente, o que ele está disponível quando vai comprar e o que a cadeia precisa entregar para atender às características e à qualidade que ele busca”, explicou.

Ponto de Venda

No ponto de venda, a percepção é de uma comercialização diferente que ocorreu décadas atrás. O proprietário da Calvi Carnes, Eloir Francisco Calvi, afirmou que ainda há espaço para ampliar a divulgação da proteína, embora encontre atualmente maior facilidade para comercializar o produto.

"Hoje é mais fácil de vender do que anos atrás. Quando comecei, há mais de 40 anos, um quilo de cordeiro custou o preço de um quilo de frango", relatou.

Com o tema “Mercado, tecnologia e valor na cadeia da carne ovina”, o Conexão Cordeiro também contou com José Magalhães, da Estância Alagoas; Daniel Barros, médico-veterinário, produtor rural e gerente de Ruminantes da Supra; Gabriel de Oliveira, sócio-proprietário da Cordeiros Arroio Malo; Humberto da Silva, diretor industrial da Carneiro Sul; e Victor Pigues, médico-veterinário, produtor rural e gerente de Território da ADM Nutrição Animal. A programação ocorre na Casa Corriedale, no Parque de Exposições Assis Brasil.