Domingo, 30 de Agosto de 2026

Cães de pastoreio no manejo de rebanhos durante a Expointer 2026

Demonstração do Senar apresenta trabalho de Border Collie treinada para conduzir ovelhas e bovinos.

Por: Redação Acontece no RS Fonte: Correio do Povo
30/08/2026 às 13h23
Cães de pastoreio no manejo de rebanhos durante a Expointer 2026
Segundo o instrutor, os cães da raça são “arrebanhadores naturais” Foto : Mauro Schaefer

Curvada sobre as quatro patas, Bugra conduz o rebanho ovino durante a demonstração de pastoreio que ocorre diariamente, às 9h e às 14h, em frente à Casa do Senar-RS na Expointer. Atenta aos comandos em inglês dados pelo instrutor, a Border Collie de trabalho se movimenta ao redor dos animais, executando o manejo diário para o qual cães dessa linhagem são naturalmente preparados.

“O petisco do cão de pastoreio é o rebanho, ele quer o rebanho”, explica Rodrigo Belebon, que trabalha com a raça há sete anos e conduz a demonstração no Parque de Exposições Assis Brasil. Segundo ele, os cães são “arrebanhadores naturais” e podem ser utilizados no manejo de diferentes tipos de animais. Um único cão pode conduzir aproximadamente 350 ovinos adultos.

Proprietário do canil Border da Pitangueira, a relação do treinador com os cães de pastoreio surgiu por necessidade de mão de obra na propriedade onde já trabalhava com ovelhas. Em 2020, realizou o primeiro curso oferecido pelo Senar para capacitação de produtores interessados em treinar seus próprios cães para auxiliar nas propriedades. A partir da experiência, passou a participar de competições nacionais. “A ideia do Border Collie foi levada pra casa justamente pelo manejo calmo, tranquilo, sem estressar o rebanho. O primeiro critério é comprar um cão de trabalho, com genética de trabalho”, conta.

Apesar da capacidade de adaptação dos animais, o instrutor e técnico em agropecuária explica que não é qualquer cachorro que pode desempenhar a função. A característica depende da genética. Por isso, a seleção começa pela escolha de cães de trabalho, com genética voltada ao pastoreio. “Hoje a gente tem uma associação que se chama Associação Brasil Border Collie (ABBC), que gerencia o sistema ABBC Registros, e isso é muito importante porque a associação tem todo o setor de registro de cães de pastoreio.”

No canil, em Ibirubá, um dos critérios para a seleção genética é que o cão tenha capacidade de mover os diferentes rebanhos. Os filhotes também precisam apresentar predisposição para o trabalho, com preparação que começa ainda nos primeiros meses de vida. Segundo o treinador, os cães podem trabalhar em praticamente qualquer propriedade rural, desde que haja uma referência de condução.

“Os cães de trabalho, eles trabalham como uma referência, o alfa. Então, o cão vai ter uma referência de um condutor, e vai ser só aquele condutor que vai conduzir bem. Ela até pode trabalhar com outra pessoa, mas não vai ser com a mesma qualidade ou talvez até não respeitando muito bem o rebanho”, explica.

A cadela Bugra, que participa da demonstração, tem três anos. Neste ano, ficou em terceiro lugar no Cão do Futuro, competição de pastoreio de ovinos, e em sexto no Campeonato Brasileiro de Pastoreio em Bovinos. Para o treinador, a experiência demonstra que o cão de pastoreio é uma tecnologia no campo.