
Quem visita o Parque de Exposições Assis Brasil durante a Expointer vê animais, máquinas e atrações, mas nem sempre conhece o trabalho nos bastidores. Entre os profissionais que ajudam a fazer a feira, estão os fiscais agropecuários, que atuam em diferentes frentes. “São boa parte da engrenagem que move a feira e permite que ela aconteça”, define a médica-veterinária Brunele Weber Chaves, 39 anos, que participa do evento desde 2017.
Parte deles recebe os animais e faz a conferência dos documentos e das condições sanitárias para garantir a segurança, já que participam exemplares de diferentes espécies e de várias regiões do Estado, do país e de países vizinhos, o que pode contribuir para a disseminação de doenças, segundo Brunele. Há ainda fiscais que trabalham junto às associações de raça, na admissão zootécnica e nos setores de documentação de animais. Outros ainda participam de atividades de educação sanitária.
Segundo a Associação dos Fiscais Agropecuários do RS (Afagro), o governo do Estado convocou, neste ano, 114 servidores, sendo 67 fiscais estaduais agropecuários, 32 técnicos agrícolas e oito analistas. A maior parte dos profissionais fica alojada dentro do parque e as equipes atuam em regime de revezamento desde a entrada dos primeiros animais até a saída do último.
"A maior parte dos fiscais fica sediada nas dependências do parque, visto que o período de convocação se estende por toda extensão da Expointer (incluindo a semana anterior à abertura oficial, quando há o recebimento dos animais) e também há mobilização de servidores de todas as partes do Estado, a fim de que seja possível o trabalho contínuo durante todo o período da Expointer. Por exemplo, a recepção dos animais ocorre diariamente das 8h às 22h até o final da feira. Há quatro equipes que se revezam para manter o atendimento”, descreve Brunele.
De tudo o que já viveu durante os anos de Expointer, a fiscal agropecuária destaca um momento histórico. "No ano de 2021, (a feira) recebeu a primeira carga de bovinos com origem de Santa Catarina (após cerca de 20 anos), visto que o estado recebeu em maio de 2021 o status de livre de Febre Aftosa sem vacinação. Antes do reconhecimento, por SC já ser reconhecido como livre, os animais não podiam participar, visto que não poderiam retornar à origem. Foi histórico e daí em diante há uma participação muito importante de bovinos com origem em Santa Catarina”, conta.
Entre as muitas situações vividas ao longo dos anos de Expointer, algumas mostram, de forma concreta, a responsabilidade envolvida. Augusto Scheeren está em sua 13ª participação na feira. Na edição de 2012, durante a admissão zootécnica de equinos, observou que alguns animais de um expositor apresentavam sinais clínicos de uma enfermidade conhecida como garrotilho. “Imediatamente comuniquei a coordenação, que providenciou a retirada dos animais do parque”, lembra. Neste momento, outro expositor de equinos foi discutir com o responsável pelos animais enfermos. “Após a resolução do ocorrido, esse expositor veio me agradecer e elogiar a atitude do nosso serviço”, relata Scheeren.
“Para mim, foi um momento muito gratificante, pois mostrou que, mesmo quando nosso trabalho exige decisões difíceis e pode gerar algum desconforto, ele é reconhecido por ter como objetivo principal proteger a saúde dos animais e garantir a segurança sanitária do evento.”