Segunda, 10 de Agosto de 2026
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Moradores jogam alimentos e remédios fora após mais de 70 horas sem luz em bairro de Porto Alegre

Luz voltou na noite do domingo após protesto bloquear rua; CEEE Equatorial disse “se solidarizar”, mas que já recuperou 93% dos clientes atingidos.

Por: Redação Acontece no RS Fonte: Correio do Povo
10/08/2026 às 15h20
Moradores jogam alimentos e remédios fora após mais de 70 horas sem luz em bairro de Porto Alegre
Lélia Azevedo da Silva Pereira foi uma das moradoras atingidas pela falta de luz Foto : Camila Cunha

Após mais de três dias, somando 73 horas, sem energia elétrica no Condomínio João Salomoni II, no bairro Vila Nova, em Porto Alegre, devido aos temporais com ventania da semana passada, ela retornou por volta das 22 horas do último domingo, quando um poste que estava caído junto a uma árvore, na rua Coronel Octaviano Pinto Soares, na lateral do condomínio, foi consertado. Devido ao que classificaram como descaso da CEEE Equatorial ao longo dos dias, os galhos dela foram retirados pelos próprios moradores, que neste condomínio são cerca de 500.

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No entanto, isto não reduziu a indignação dos habitantes, parte dos quais haviam feito inclusive um protesto horas antes do retorno do serviço. Houve o fechamento da rua, com pneus e colchões sendo postos na via, ameaçando serem queimados, caso a situação não se normalizasse. A Brigada Militar (BM) esteve no local e conteve os ânimos, assim como o Corpo de Bombeiros Militar do RS (CBMRS), para apagar o princípio de incêndio.

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Nesta fria manhã de segunda-feira, alguns habitantes dos blocos retiravam alimentos e remédios, como insulina, das geladeiras, colocando-os no lixo devido à falta de refrigeração. Perto da rua nesta segunda, jaziam ainda restos de pneus, colchões e itens queimados. A aposentada Lélia Azevedo da Silva Pereira foi uma das moradoras que precisaram jogar itens fora. “De ontem para hoje, já fiz duas ‘maquinadas’ de roupa. Estou abrindo a geladeira somente agora para ver como está”, comentou ela, mostrando o eletrodoméstico cheio de alimentos.

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“O aniversário do meu esposo é inclusive amanhã (terça-feira), e faríamos a festa no sábado. Viriam parentes de Bento Gonçalves. Mas eu acabei cancelando. Parece que Deus me iluminou para isto. Nestes dias, para tomar banho somente de caneca. Esquentava a água e jogava no corpo. Era muito frio e acabei ficando resfriada”, contou ela. Também aposentado e morador, Paulo César Uberti disse que no caso dele e da esposa, o descarte dos alimentos estava sendo feito da mesma forma na manhã desta segunda.

“Acho que o protesto acabou acontecendo de maneira gradual, porque o ser humano tem essa coisa de ir tolerando a situação até determinado ponto. Passa um dia, passam dois, aí depois disto a indignação e o desconforto crescem bastante. Pensamos: alguma coisa temos de fazer por nós, porque ninguém vai vir fazer nada”, relatou, enquanto saía de casa para ir ao mercado. A síndica do condomínio e irmã de Lélia, Rosélia Azevedo da Silva, contou que a falta de luz começou às 20 horas, e desde então dezenas de protocolos foram abertos junto à CEEE Equatorial.

“Ao longo do tempo, vieram seis equipes de carro e três de motocicleta, sem fazer absolutamente nada. Alegaram que tinham de cortar a árvore, porque estava encostando nos fios. Só que a solução não veio, então chamamos o povo do condomínio e colocamos fogo na rua. A BM só veio porque denunciaram que estávamos obstruindo a rua. Mas acho que somente por isso conseguimos chamar a atenção, porque de noite (a CEEE Equatorial) veio arrumar”, afirmou.

Moradores protestaram no domingo diante da falta de luz 

Moradores protestaram no domingo diante da falta de luz | Foto: Rosélia Azevedo / Arquivo pessoal / CP

CEEE Equatorial diz que já restabeleceu 93% dos clientes afetados

Procurada, a CEEE Equatorial disse, em nota, que restabeleceu o fornecimento de energia para cerca de 93% dos clientes afetados pelo evento climático extremo em sua área de concessão no Rio Grande do Sul, ou cerca de 349 mil dos 375 mil inicialmente atingidos. Disse ainda que “se solidariza com quem ainda enfrenta transtornos e reforça que as equipes trabalham de forma ininterrupta para concluir os atendimentos com a maior brevidade possível”.

“Os casos que permanecem em atendimento envolvem, em muitos pontos, trechos da rede severamente danificados e estruturas de alta tensão, exigindo intervenções de maior complexidade. Esses reparos demandam materiais específicos, equipes especializadas, maior tempo de deslocamento e procedimentos adicionais de segurança, o que pode ampliar o prazo necessário para a conclusão dos serviços”, disse a CEEE Equatorial.

A respeito do poste na rua Coronel Octaviano Pinto Soares, a companhia disse que ele foi estabilizado por meio de uma tala de contenção, “estrutura de suporte utilizada temporariamente para garantir a segurança e permitir o restabelecimento do fornecimento de energia com maior agilidade”. A CEEE Equatorial explicou que “essa é uma solução técnica amplamente utilizada em situações emergenciais para assegurar a estabilidade da estrutura até a realização da substituição definitiva do equipamento. A companhia enviará uma equipe ao local para nova vistoria e, caso necessário, providenciará a troca do poste o mais breve possível.”

Leia nota completa da CEEE Equatorial a respeito da situação geral

CEEE Equatorial restabelece energia para cerca de 349 mil clientes afetados por evento climático extremo

Na manhã desta segunda-feira (10), a CEEE Equatorial já restabeleceu o fornecimento de energia para cerca de 93% dos clientes afetados pelo evento climático extremo. *Dos 375 mil clientes inicialmente impactados, aproximadamente 349 mil já tiveram o serviço normalizado.

A companhia se solidariza com quem ainda enfrenta transtornos e reforça que as equipes trabalham de forma ininterrupta para concluir os atendimentos com a maior brevidade possível.

Desde o início da operação, a CEEE Equatorial priorizou o atendimento a serviços essenciais e às áreas com maior concentração de consumidores, estratégia que permitiu avançar mais rapidamente na recuperação do sistema elétrico. Com a conclusão de grande parte desses atendimentos, a operação entra agora em uma etapa mais complexa, concentrada em ocorrências pontuais e dispersas.

Os casos que permanecem em atendimento envolvem, em muitos pontos, trechos da rede severamente danificados e estruturas de alta tensão, exigindo intervenções de maior complexidade. Esses reparos demandam materiais específicos, equipes especializadas, maior tempo de deslocamento e procedimentos adicionais de segurança, o que pode ampliar o prazo necessário para a conclusão dos serviços.

A distribuidora mantém cerca de 500 equipes em campo, com o Plano de Contingência ativado, e trabalha para avançar na normalização do fornecimento ao longo desta segunda-feira (10). Alguns casos pontuais, especialmente aqueles que envolvem danos de maior gravidade e reparos mais complexos, podem demandar prazo adicional.

As equipes permanecerão mobilizadas até a conclusão dos trabalhos necessários e o restabelecimento do fornecimento de energia com segurança.

Leia nota completa da CEEE Equatorial a respeito do poste da Vila Nova

Nota — CEEE Equatorial

A CEEE Equatorial informa que o poste localizado na Rua Coronel Octaviano Pinto Soares foi estabilizado por meio de uma tala de contenção, estrutura de suporte utilizada temporariamente para garantir a segurança e permitir o restabelecimento do fornecimento de energia com maior agilidade.

A distribuidora esclarece que essa é uma solução técnica amplamente utilizada em situações emergenciais para assegurar a estabilidade da estrutura até a realização da substituição definitiva do equipamento. A companhia enviará uma equipe ao local para nova vistoria e, caso necessário, providenciará a troca do poste o mais breve possível.

A CEEE Equatorial ressalta que, desde quinta-feira (6), após a passagem do ciclone extratropical severo, atua em uma ampla operação para recuperar os danos provocados à rede elétrica. O evento climático causou impactos críticos em 34 dos 72 municípios atendidos pela distribuidora e chegou a afetar cerca de 375 mil clientes.

Diante desse cenário excepcional, com centenas de ocorrências simultâneas, os atendimentos foram priorizados conforme critérios técnicos e de segurança, com foco inicial em serviços essenciais e nas ocorrências que afetavam um maior número de clientes.