
Em uma tarde de domingo incomum para o inverno gaúcho, os termômetros marcavam mais de 25°C. A brisa que vinha do rio servia de refresco para um grupo de pelo menos 20 pescadores amadores que aproveitavam o alto nível do Jacuí para pescar, enquanto o sol se preparava para encerrar o dia em Porto Alegre.
Dentro do grupo, os perfis são distintos. Há quem frequente o local como ponto de pesca há anos, enquanto outros visitam o espaço pela primeira vez. Acompanhados de familiares, amigos ou os que preferem a própria companhia, todos eles recorrem à prática como uma oportunidade de desacelerar o ritmo da semana e se conectar com a natureza.
Acompanhada do marido, Adriana Vargas, 45, veio de Canoas, na Região Metropolitana para pescar no local pela segunda vez. O casal se instalou às margens da avenida Mauá no bairro Navegantes, zona Norte de Porto Alegre por volta das 15h e planejava voltar para casa só ao anoitecer. “É bom porque desestressa e ter contato com a água assim é um tipo de terapia”, afirma a pescadora exibindo uma sacola com cerca de uma dezena de pequenos peixes obtidos no local naquela tarde.
Já o marido, Leandro Dornelles, 44, conta que não é pescador, mas apoia o interesse de Adriana. “Eu sou motoboy há 20 anos. Um dia passando por aqui eu vi algumas pessoas pescando e aí falei para ela. Hoje eu trouxe ela aqui para a gente passar a tarde”, detalha o entregador que já planejava o jantar com o resultado da pescaria.
Isabel Maria dos Santos, 71, pesca desde menina e há pelo menos três anos frequenta aquele próximo a ponte móvel na BR 116. Esse é o segundo final de semana seguido que ela passa a tarde ali, desta vez, com menos sorte do que as anteriores, em quase 3h30min ela ainda não tinha conseguido fisgar nada. “Eu gosto desde bem novinha. Eu pesco, tiro do anzol e devolvo pra água, não levo. É mais para passar o tempo e arejar a cabeça”, conta a mulher que mora na região e estava acompanhada da filha, o genro e o cachorro do casal.
Após o grande volume de chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul desde o meio de julho, a elevação das principais bacias do Estado favorecem entusiastas da pesca amadora e, até quem tira desta prática o seu sustento. Somente no domingo, o nível do Jacuí recuou 18 cm ao longo do dia.
A atividade também foi registrada durante este período em outros pontos da Capital, como a região das ilhas e a área de encosta em bairros da zona Sul. No entanto, é sempre recomendável consultar a legislação vigente sobre espécies que podem ou não ser retiradas dos mananciais e pontos apropriados para a pesca.