Quarta, 29 de Julho de 2026
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Canetas emagrecedoras exigem acompanhamento médico e tratamento individualizado, alerta endocrinologista em Porto Alegre

Em entrevista ao Portal Acontece no RS, a Dra. Luísa Ortiz Cabrera, endocrinologista e professora de pós-graduação da Afya Educação Médica de Porto Alegre, explica como funcionam os novos medicamentos para obesidade, quem pode utilizá-los e por que o tratamento deve ser individualizado.

Por: Redação Acontece no RS
29/07/2026 às 18h09
Canetas emagrecedoras exigem acompanhamento médico e tratamento individualizado, alerta endocrinologista em Porto Alegre
Dra. Luísa Ortiz Cabrera, endocrinologista e professora de pós-graduação da Afya Educação Médica de Porto Alegre.

Especialista explica que os novos medicamentos revolucionaram o tratamento da obesidade, mas reforça que a doença é crônica e exige acompanhamento individualizado, mudanças no estilo de vida e uma abordagem multidisciplinar.

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As chamadas canetas emagrecedoras transformaram o tratamento da obesidade e passaram a fazer parte da rotina de milhares de brasileiros. No entanto, apesar dos resultados promissores, os medicamentos não devem ser encarados como uma solução isolada. Em entrevista ao Portal Acontece no RS, a Dra. Luísa Ortiz Cabrera, endocrinologista e professora de pós-graduação da Afya Educação Médica de Porto Alegre, destacou que o sucesso do tratamento depende de uma avaliação médica especializada, da participação de uma equipe multidisciplinar e de mudanças permanentes no estilo de vida.

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A entrevista completa está disponível ao final desta reportagem.

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Obesidade deixou de ser fator de risco e passou a ser tratada como doença

Segundo a endocrinologista, um dos maiores avanços da medicina nos últimos anos foi reconhecer a obesidade como uma doença crônica, com fisiopatologia própria e associada a diversas complicações.

Ela explica que os novos medicamentos atuam diretamente nos mecanismos da doença e representam uma verdadeira revolução no tratamento, reduzindo também o risco de outras enfermidades, como hipertensão, diabetes, infarto, AVC e alguns tipos de câncer.

Tratamento deve ser individualizado

Apesar da popularização das canetas emagrecedoras, a especialista alerta que elas não são indicadas para todos os pacientes.

Antes da prescrição, é necessário realizar uma avaliação clínica completa para identificar o histórico de saúde, comorbidades, contraindicações e possíveis transtornos alimentares.

"Cada paciente é único", reforça a médica, destacando que somente um profissional habilitado pode definir o tratamento mais adequado para cada caso.

Autoprescrição representa risco à saúde

Outro ponto abordado durante a entrevista foi o crescimento da automedicação e da comercialização de medicamentos sem procedência comprovada.

De acordo com a Dra. Luísa, todo medicamento aprovado para venda no Brasil passa por rigorosos estudos científicos e pela avaliação da Anvisa.

Por isso, ela orienta que os pacientes nunca iniciem um tratamento por indicação de amigos, familiares ou informações encontradas na internet, sem antes consultar um especialista. Além da falta de eficácia, produtos sem origem confiável podem trazer riscos importantes à saúde.

Saúde mental faz parte do tratamento

Um dos principais destaques da entrevista foi a relação entre obesidade e saúde mental.

Segundo a endocrinologista, o tratamento vai muito além da balança e exige mudanças profundas na alimentação, na rotina, no sono e na prática de atividade física.

Por isso, além do endocrinologista, profissionais como psicólogo, nutricionista, psiquiatra e educador físico desempenham papel fundamental durante todo o processo.

Fome emocional e compulsão alimentar precisam ser identificadas

Durante a conversa, a médica explicou que muitas pessoas têm dificuldade para diferenciar fome física, fome emocional e compulsão alimentar.

Essa identificação ocorre por meio de avaliação clínica e questionários específicos.

Ela ressalta que, em pacientes com compulsão ou forte componente emocional, as canetas emagrecedoras podem precisar ser associadas a outras estratégias terapêuticas, reforçando a importância de um tratamento personalizado.

"Efeito sanfona" está relacionado ao controle da doença

Outro tema discutido foi o chamado efeito sanfona.

Para a especialista, o termo pode gerar interpretações equivocadas.

Ela explica que a obesidade é uma doença crônica, semelhante ao diabetes e à hipertensão. Quando o tratamento é interrompido, a doença pode voltar a se manifestar e ocorrer o reganho de peso.

Por isso, atingir o peso desejado não significa que o paciente esteja curado. O acompanhamento médico e a manutenção de hábitos saudáveis continuam sendo fundamentais para controlar a doença ao longo da vida.

Equipe multidisciplinar aumenta as chances de sucesso

A entrevista também destacou que cada profissional contribui de forma diferente para o tratamento.

Enquanto o endocrinologista avalia os aspectos hormonais e metabólicos, nutricionistas, psicólogos, psiquiatras e educadores físicos ajudam o paciente a desenvolver hábitos sustentáveis, lidar com questões emocionais e adaptar o tratamento à sua realidade.

Procure sempre orientação especializada

Ao encerrar a entrevista, a Dra. Luísa Ortiz Cabrera orientou que qualquer pessoa interessada em iniciar um tratamento para perda de peso procure um médico especialista.

Ela também alertou para o cuidado com conteúdos encontrados na internet e recomendou que informações sobre endocrinologia sejam buscadas em fontes confiáveis, como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia, evitando conteúdos sem embasamento científico.

Assista à entrevista completa