
Especialista explica que os novos medicamentos revolucionaram o tratamento da obesidade, mas reforça que a doença é crônica e exige acompanhamento individualizado, mudanças no estilo de vida e uma abordagem multidisciplinar.
As chamadas canetas emagrecedoras transformaram o tratamento da obesidade e passaram a fazer parte da rotina de milhares de brasileiros. No entanto, apesar dos resultados promissores, os medicamentos não devem ser encarados como uma solução isolada. Em entrevista ao Portal Acontece no RS, a Dra. Luísa Ortiz Cabrera, endocrinologista e professora de pós-graduação da Afya Educação Médica de Porto Alegre, destacou que o sucesso do tratamento depende de uma avaliação médica especializada, da participação de uma equipe multidisciplinar e de mudanças permanentes no estilo de vida.
A entrevista completa está disponível ao final desta reportagem.
Segundo a endocrinologista, um dos maiores avanços da medicina nos últimos anos foi reconhecer a obesidade como uma doença crônica, com fisiopatologia própria e associada a diversas complicações.
Ela explica que os novos medicamentos atuam diretamente nos mecanismos da doença e representam uma verdadeira revolução no tratamento, reduzindo também o risco de outras enfermidades, como hipertensão, diabetes, infarto, AVC e alguns tipos de câncer.
Apesar da popularização das canetas emagrecedoras, a especialista alerta que elas não são indicadas para todos os pacientes.
Antes da prescrição, é necessário realizar uma avaliação clínica completa para identificar o histórico de saúde, comorbidades, contraindicações e possíveis transtornos alimentares.
"Cada paciente é único", reforça a médica, destacando que somente um profissional habilitado pode definir o tratamento mais adequado para cada caso.
Outro ponto abordado durante a entrevista foi o crescimento da automedicação e da comercialização de medicamentos sem procedência comprovada.
De acordo com a Dra. Luísa, todo medicamento aprovado para venda no Brasil passa por rigorosos estudos científicos e pela avaliação da Anvisa.
Por isso, ela orienta que os pacientes nunca iniciem um tratamento por indicação de amigos, familiares ou informações encontradas na internet, sem antes consultar um especialista. Além da falta de eficácia, produtos sem origem confiável podem trazer riscos importantes à saúde.
Um dos principais destaques da entrevista foi a relação entre obesidade e saúde mental.
Segundo a endocrinologista, o tratamento vai muito além da balança e exige mudanças profundas na alimentação, na rotina, no sono e na prática de atividade física.
Por isso, além do endocrinologista, profissionais como psicólogo, nutricionista, psiquiatra e educador físico desempenham papel fundamental durante todo o processo.
Durante a conversa, a médica explicou que muitas pessoas têm dificuldade para diferenciar fome física, fome emocional e compulsão alimentar.
Essa identificação ocorre por meio de avaliação clínica e questionários específicos.
Ela ressalta que, em pacientes com compulsão ou forte componente emocional, as canetas emagrecedoras podem precisar ser associadas a outras estratégias terapêuticas, reforçando a importância de um tratamento personalizado.
Outro tema discutido foi o chamado efeito sanfona.
Para a especialista, o termo pode gerar interpretações equivocadas.
Ela explica que a obesidade é uma doença crônica, semelhante ao diabetes e à hipertensão. Quando o tratamento é interrompido, a doença pode voltar a se manifestar e ocorrer o reganho de peso.
Por isso, atingir o peso desejado não significa que o paciente esteja curado. O acompanhamento médico e a manutenção de hábitos saudáveis continuam sendo fundamentais para controlar a doença ao longo da vida.
A entrevista também destacou que cada profissional contribui de forma diferente para o tratamento.
Enquanto o endocrinologista avalia os aspectos hormonais e metabólicos, nutricionistas, psicólogos, psiquiatras e educadores físicos ajudam o paciente a desenvolver hábitos sustentáveis, lidar com questões emocionais e adaptar o tratamento à sua realidade.
Ao encerrar a entrevista, a Dra. Luísa Ortiz Cabrera orientou que qualquer pessoa interessada em iniciar um tratamento para perda de peso procure um médico especialista.
Ela também alertou para o cuidado com conteúdos encontrados na internet e recomendou que informações sobre endocrinologia sejam buscadas em fontes confiáveis, como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia, evitando conteúdos sem embasamento científico.