
A indústria continua sendo o principal motor do emprego em Valinhos. Dados do Observatório Sebrae mostram que, em 2025, 39,5% dos trabalhadores formais do município estão empregados no setor industrial, percentual superior ao registrado em serviços (32,6%) e comércio (27,6%). O cenário reforça a vocação industrial da cidade e cria oportunidades para quem pretende abrir uma pequena fábrica ou transformar uma produção informal em um negócio estruturado.
Apesar de o processo de abertura de empresas estar cada vez mais rápido — o boletim mais recente do Mapa de Empresas aponta que o tempo médio para formalizar um negócio no Brasil é de um dia e sete horas — especialistas alertam que obter um CNPJ representa apenas uma das etapas para quem deseja empreender na indústria.
Antes da formalização, é importante avaliar questões como localização da fábrica, capacidade produtiva, planejamento operacional, gestão financeira e enquadramento tributário. Segundo o Sebrae, o estudo de viabilidade e a análise de mercado ajudam a reduzir riscos e aumentam as chances de sustentabilidade do negócio.
Antes de registrar a empresa, o empreendedor precisa verificar se a atividade industrial é permitida no endereço escolhido. A consulta de viabilidade permite identificar restrições relacionadas ao zoneamento urbano e às exigências legais do município.
Dependendo do segmento, também podem ser ser necessárias licenças ambientais, sanitárias e autorizações do Corpo de Bombeiros. Por isso, o custo do imóvel não deve ser o único fator considerado na escolha do local.
Outro ponto essencial é definir quanto a empresa conseguirá produzir desde o início das operações.
A análise envolve maquinário disponível, quantidade de funcionários, turnos de trabalho e demanda prevista. Segundo especialistas da Nomus, esse planejamento reduz gargalos, evita investimentos desnecessários e permite estabelecer metas compatíveis com a realidade da empresa.
Depois da formalização, um dos maiores desafios das pequenas indústrias passa a ser organizar a produção e controlar estoques, prazos e custos.
Nesse cenário, a planilha de programação de produção pode servir como uma ferramenta inicial para acompanhar ordens de fabricação, distribuir atividades, controlar matérias-primas e planejar entregas.
O engenheiro e sócio da Nomus, Thiago Leão, afirma que estruturar os processos logo no início aumenta as chances de crescimento sustentável. "Com o setor industrial cada vez mais relevante em cidades como Valinhos, muitos empreendedores enxergam uma oportunidade para abrir ou formalizar seus negócios. Mas o sucesso não depende apenas da abertura da empresa. É fundamental estruturar desde o início o planejamento da produção, controlar o consumo de materiais, acompanhar custos e entender a rentabilidade de cada pedido", ressalta.
Segundo o especialista, sistemas de gestão ajudam a integrar informações sobre estoque, produção, compras e fluxo de caixa, reduzindo erros operacionais e trazendo mais previsibilidade para o negócio.
Além da produção, o empreendedor deve conhecer todos os custos envolvidos na operação antes mesmo de iniciar as atividades.
O planejamento financeiro deve considerar despesas fixas, como aluguel e folha de pagamento, além de gastos variáveis, como energia elétrica, logística e matéria-prima.
Com essas informações, torna-se mais fácil calcular preços, projetar investimentos e definir o capital de giro necessário para os primeiros meses de funcionamento.
Outra preocupação de quem está iniciando uma indústria é entender o que muda com a nova reforma tributária. A Emenda Constitucional nº 132/2023 prevê a substituição gradual de tributos como ICMS, ISS, PIS, Cofins e IPI por novos modelos de tributação, entre eles a CBS e o IBS, que formarão o IVA brasileiro.
Para Thiago Leão, empresas que iniciam suas operações com processos organizados estarão mais preparadas para enfrentar essa transição. "Quem começa a estruturar seus controles desde a formalização ganha mais capacidade para acompanhar as mudanças tributárias, simular impactos sobre custos e atender às novas exigências fiscais com mais segurança. A integração das informações operacionais passa a ser um diferencial competitivo para as pequenas indústrias", conclui.