Terça, 28 de Julho de 2026
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Ovelhas e bovinos no frio como os pecuaristas do RS protegem o rebanho no inverno

Com o inverno no RS, pecuaristas reforçam abrigo, nutrição e sanidade para proteger ovelhas e bovinos do frio, do vento e da geada no campo.

Por: Renata Oliveira
23/06/2026 às 10h34
Ovelhas e bovinos no frio como os pecuaristas do RS protegem o rebanho no inverno

Com o inverno recém-iniciado no Rio Grande do Sul, os pecuaristas gaúchos intensificam os cuidados com o rebanho para enfrentar a combinação de frio, vento e umidade — o trio que mais ameaça ovelhas e bovinos nesta época do ano. O desafio é manter os animais aquecidos, bem alimentados e protegidos justamente no período em que nascem cordeiros e bezerros.

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Para os ovinos, o maior risco está nos primeiros dias de vida dos cordeiros. Em rebanhos criados a campo no RS, a mortalidade perinatal de cordeiros varia de 15% a 40% nas primeiras 72 horas após o nascimento, e o chamado complexo inanição-exposição — a soma de fome e frio — responde pela maioria dessas mortes. Para reduzir as perdas, o Simagro-RS oferece o Chill Index, ferramenta que alerta sobre a chegada do frio e orienta o produtor a reforçar abrigos, vistoriar os potreiros de parição mais de uma vez ao dia e oferecer alimentação energética às matrizes.

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Nos bovinos, a estratégia passa por nutrição e abrigo. Segundo a Emater/RS-Ascar, as forrageiras de inverno, como aveia e azevém, ajudam a garantir o pasto, mas a suplementação com silagem e feno costuma ser necessária para manter o escore corporal dos animais. As raças europeias (taurinas) são as que mais sentem quando a temperatura cai abaixo da zona de conforto térmico, e o vento gelado agrava a situação — por isso, quebra-ventos naturais, como renques de árvores, e galpões fazem diferença nas noites mais frias.

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Na pecuária leiteira, o vilão nem sempre é o termômetro. A superintendente técnica substituta da Associação dos Criadores de Gado Holandês do RS (Gadolando), Maíza Scheleski, explica que as baixas temperaturas não costumam prejudicar a produção de leite; o desafio maior está na combinação de frio, vento e umidade. O excesso de barro eleva o risco de problemas de casco e de mastite, e os animais mais jovens precisam de instalações limpas, secas, protegidas do vento e com boa cama para reduzir doenças respiratórias, comuns nesta época.

A sanidade fecha o pacote de cuidados. O tempo mais seco e as geadas favorecem ações como a vermifugação e a vacinação contra clostridioses, enquanto a atenção se volta às pneumonias, frequentes em bezerros e cordeiros recém-nascidos. Manter o calendário de vacinas em dia e percorrer o rebanho com regularidade são medidas simples que evitam prejuízos ao longo da estação.

A recomendação dos órgãos técnicos é antecipar-se ao frio. Acompanhar os boletins agrometeorológicos da Seapi e os alertas do Chill Index, no site do Simagro-RS, permite preparar abrigo e alimentação antes da entrada de cada massa de ar frio. Quando o cuidado chega junto com a geada, muitas vezes já é tarde para o animal mais frágil — sair na frente é o que separa um inverno tranquilo de um inverno com perdas.

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